Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

domingo, 4 de novembro de 2012

Manuela e a Teoria da Relatividade

Graças a Albert Einstein e sua equipe, teorias foram estudadas e colocadas em prática, para que a humanidade tivesse tantas conquistas como a viagem ao espaço, a geração de energia a partir do átomo e também, infelizmente, a criação da bomba atômica. Não precisa navegar muito na internet para ler sobre este brilhante físico, nascido na Alemanha em uma família judaica, e que adotou ao longo de sua vida as cidadanias - além da alemã - suíça, austríaca e norte americana. E por que desta homenagem a este homem e sua equipe, num blog sobre carros e histórias menos complexas? É justamente por termos colocado em prática a Teoria da Relatividade junto com a Manuela. 


Fazia um lindo dia de Sol em São Paulo no dia 28 de Outubro de 2012. Havíamos combinado com bastante antecedencia visitar um casal de amigos nossos - o "Chuva" e a Danila - para vê-los e a seus filhos, pois já devíamos há muito tempo uma visita. Esta família mora em Vargem Grande Paulista, que fica a 70 km daqui de São Bernardo do Campo e, normalmente, ir até lá leva por volta de uma hora e meia, já que a Rodovia Raposo Tavares sempre tem trânsito e é bastante sinuosa, e ir pelo Rodoanel é bem mais longe e demora mais. Iríamos em 3 casais - eu, a proprietária da Lucano Mosaico e escritora do blog homônimo (que também atende pelo nome de Adriana), e mais dois casais. Nada demais até aí, certo?

"Apenas" 67 Km separam São Bernardo do Campo de Vargem Grande Paulista, de acordo com o Google Maps.

O refinado interior da Manuela após serviço de tapeçaria.
Pois bem, a coisa começou a mudar de figura semanas antes, quando lemos este post no excelente blog AutoEntusiastas: Kombi - uma festa ambulante. O espaço que uma Kombi oferece é sem igual e, como todos nós iríamos para o mesmo lugar, qual o motivo de usar dois carros e estragar o papo? Um porém pairava entre nós: a Manuela não tinha cintos de segurança nem o interior prontos para a viagem. A ideia era boa demais para ser desperdiçada - seis pessoas viajando juntas, numa viagem curta e com todo o "cool factor" que a Manuela tem era algo irresistível, e que certamente ficaria na memória de todos. Então tomei coragem, raspei o cofrinho até que ele ficasse completamente vazio e mandei fazer o estofamento da Kombi guerreira, para que pudesse nos proporcionar uma viagem agradável e mais confortável do que sem forrações, rádio e cintos de segurança.

A nova e requintada cabine de Manuela.
Tudo bem, tudo pronto e todos empolgados para viajar... exceto a Manuela. Quando a Adriana foi colocar umas coisas na Kombi, veio uma surpresa desagradável - ela não tinha cintos de segurança traseiros pois o tapeceiro esqueceu de instalá-los. Liga daqui, pergunta dali, e chegamos ao consenso em seguir viagem assim mesmo, já que tudo estava pronto, e isso fazia parte da diversão. Seguimos então o início do passeio, saindo de SBC para o bairro de Moema em SP para pegar o primeiro casal, e depois para o Itaim pegar o segundo casal e assim, pararmos somente em Vargem Grande Paulista. Fomos devagar, entre 80 e 90 Km/h para não assustar a ninguém e manter a Manuela tranquilinha para o primeiro passeio longo desde que ela se juntou à família. Só que esquecemos de uma coisa... o calor. Ah, o calor da primavera que fez São Paulo parecer uma versão seca de Manaus tamanho o calor que fazia, e que provocava suor em qualquer pessoa que se aventurasse ficar mais de cinco minutos fora de um ambiente com ar condicionado... e lógico que Manu não tem ar condicionado (essa "tecnologia" ainda não chegou para ela). Porcausa do calor de 35ºC em média, a grande diminuição do nível de ruído interno dela e as melhorias no estofamento passaram despercebidas e a constatação que a suspensão da Kombi foi dimensionada para cargas - logo, a maciez passa bem longe - ficava beeeem nitida.

Manuela valorizando a fachada do prédio.
Chegamos ao Itaim e buscamos o casal derradeiro para a viagem, e já estávamos suficientemente suados e beirando a irritação porcausa do calor, ruído e pulos da suspensão, mas mesmo assim pegamos a estrada. Um detalhe importante: aqueles vidros basculantes laterais (os quais paguei uma grana para comprá-los colocá-los na Manuela durante a funilaria e pintura) NÃO ABRIAM. Pois é, então a ventilação interna estava restrita aos vidros das portas e a um ventinho que era captado acima do parabrisas... os três pobres passageiros do banco traseiro foram sendo cozidos lentamente ao sabor da Raposo Tavares, que para ajudar estava com um trânsito maior do que o normal para o dia e horário. O Sol banhava o teto da Kombi, os cintos de segurança dianteiros frouxos (defeito de tapeçaria, a ser resolvido) junto com a ausência de uma "frente" geravam pânico nas duas passageiras da frente quando nos aproximávamos de algum carro durante o trânsito, e para ajudar, cada calombo na estrada era sentido pelas nossas bundas e pela suspensão que passara a fazer uma batida metálica. Muitos viam a nós e Manuela nas ruas e estradas e faziam sinais positivos, ao qual retribuíamos com uma pontinha de inveja por estarem em carros mais macios, e por vezes com ar condicionado. Nunca meros 67 Km passaram tão lentamente na vida dos seis ocupantes da Manuela... havia assunto para falar, mas não havia paciência proporcional, e a vontade de ar fresco (mesmo que de um ventiladorzinho) dominava a todos. Uma hora e meia depois, chegávamos ao Chuva, que riu até cair no chão ao nos ver chegando de Kombi na casa dele, e mais ainda ao ver todos suados, vermelhos mas sorridentes pelo fim da primeira etapa da jornada.

Mas, depois escureceu e era chegada a hora de irmos embora de lá.  Antes de sair de lá, a Manuela desceu de esgueio e a roda de tração não encostou direito no asfalto. Para dar tração, o Carlos (na foto, agachado) e o Walter (na foto, com a camisa da cor da Manuela) saíram, subiram no parachoque traseiro para que ela tivesse tração e saísse do lugar... (era a cereja que faltava no bolo). O tempo fresco da noite ajudou E MUITO o retorno, mas todos estávam bastante cansados para longas conversas após um dia... inesquecível. Nem pareceram as cinco horas psicológicas (que foram de fato apenas 90 minutos) que levaram de São Bernardo do Campo até Vargem Grande Paulista. O importante é que todos chegamos bem, a Manu se comportou muito bem dadas as limitações de projeto dela (afinal não enguiçou ou engasgou em momento algum) e que no dia seguinte, todos demos boas risadas de tudo isso.




Todos juntos para a foto. Só faltou a cachorrinha deles, a Bozolina.
Mesmo com estes contratempos, faria tudo isso de novo. Aliás, repetiria esta viagem ou mais longas agora, apenas com algumas providências (que serão tomadas agora em Novembro):
  1. O tapeceiro vai colocar os cintos de segurança nos bancos traseiros e adequar os dos bancos dianteiros. Não dá para ficar sem cintos atrás e com os cintos dianteiros alargando à toa. 
  2. A Manuela vai para o vidraceiro para dar um jeito de abrir e fechar as janelas basculantes do salão. Ficar com quatro janelas travadas no calor sendo passageiro do banco de trás é o tipo de experiência inesquecível num dia quente. 
  3. Além de uma caixa de ferramentas para eventuais emergências, ela vai ganhar uma caixa de isopor para colocar gelo e bebidas para as próximas viagens.
Só de lembrar do segurança do flat onde o casal Andrea e Carlos moram, ao nos ver chegando de Manuela às 21:30 do sábado, fazendo uma cara esquisita e ensaiando falar "que não era hora de entregas" até ver que o belo casal saía do carro... valeu cada gota de suor desprendida de nossas peles. Mas por enquanto, a previsão é que viagens mais longas só quando chegar o outono e junto com ele, as temperaturas mais amenas e também a conclusão de do que precisa ser feito na Kombi.

Um comentário:

  1. Revivi todo aquele dia lendo seu post... adorei!
    Bjs, Aline.

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