Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

sábado, 5 de dezembro de 2015

A centésima publicação, com mais de cem fotos.

Esta é a centésima publicação deste blog. Agradeço muito a todos os que acompanham, me estimulam e reclamam quando fico sem publicar. Então vou abordar um tema que muitos me perguntam a respeito - se há e como são os encontros de carros antigos aqui na Alemanha. Só posso escrever no momento sobre Berlim e região, mas do que me falaram e vejo em revistas, os demais lugares da Alemanha são semelhantes.


Os alemães são apaixonados por veículos, de bicicletas a caminhões e barcos, e logicamente carros e motos. Alguns colegas do trabalho tem pelo pelo menos uma moto para passeio, ou um carro diferente para curtir entre Março e Outubro (entre Novembro e Fevereiro fica mais difícil com a neve, e o seguro mais caro), tem um amigo que possui além de três motos antigas, tem por volta de 15 bicicletas, várias de antes da II Guerra Mundial (uma delas é de 1908). Há várias revistas especializadas como a Auto Bild Klassik, Oldtimer Markt, Motor Klassik entre outras, mercados de peças e também oficinas - apesar da minha atual insatisfação com elas, há algumas que fazem restaurações completas, que logicamente custam o preço de um rim e parte do fígado. Quem tem espaço em casa, faz muita coisa nos carros por conta própria e porcausa disso se vê carros mecanicamente bem sólidos, mas cuja funilaria e pintura poderia ter sido mais caprichada - o importante é que eles não foram parar na prensa para alimentar a aciaria da Thyssen, e isso já é uma vitória num país onde se dá perda total para um carro usado que fundiu o motor.  Mostrarei neste post mais de cem fotos, tiradas em dois encontros - o Classic Remise, promovido pela empresa de mesmo nome, e o Oldtimer-Markt de Wünsdorf. Em comum com os encontros no Brasil, há o número de carros, as barracas de vendedores de peças e de comida, e pelo menos uma banda tocando e vendendo seus CDs - tudo isso, no entanto, refletindo as preferências locais ou seja, há "currywurst" à vontade mas nada de pastel. 

O Classic Remise Berlim.


Este encontro aconteceu no início de Maio, no Dia das Mães no Brasil. A Classic Remise é um condomínio de empresas que restauram e revendem veículos antigos, e também de serviços associados tais como manutenção básica, armazenagem e venda de artigos diversos como roupas, ferramentas, artigos de marcas e produtos para cuidar do carro. A empresa e os serviços são para poucos, como pôde ser visto do lado de dentro do local, mas no estacionamento haviam carros para (quase) todos os bolsos, a maioria do lado ocidental da Alemanha e com alguns exemplares importados dos EUA e uns poucos do lado oriental da Europa. Mesmo com o frio que fazia naquele dia, o clima do encontro era agradável e com certa informalidade. Vejam as fotos:


Karmann-Ghia, de fabricação local. Só não curti as faixas brancas nos pneus.
Um Fusca (ou "Käfer", como são chamados aqui) conversível, de carroceria fabricada pela Karmann.
DKW Munga, usados pelas forças armadas da Alemanha Ocidental. O irmão do Candango, produzido pela VEMAG no Brasil.

Um "Käfer" California Look.


Um Volvo TP21 (Sugga), utilizado pelas forças armadas suecas e alemãs.
Peugeot 404. Este está com placa temporária (somente com números), possivelmente oriundo de importação.
Um bonito Renault 15.

Rover P5, creio que do final dos anos 60.
Mercedes 170
Ford Thunderbird 59 e Chevrolet Suburban (acho que 62) importados recentementes dos EUA.
Opel GT 1900. A leitura europeia do Corvette, com motor bem menor e desempenho menos espetacular que o visual. 


Opel Rekord P2 CarAvan (assim mesmo, com o "A" maiúsculo no meio). Provavelmente 56 ou 57.
  
É um Mini... fabricado pela Innocenti, na Itália. 

Opel Commodore A, a versão esportiva do Opel Rekord D, que sucedeu o Opel Rekord C... que foi o "pai do Opala". 
Um Datsun 1200 com placas de Portugal. Vários carros antigos atualmente na Alemanha e França vê de lá, ou então da Espanha, Grécia, Suécia ou Romênia. 


Eu ao lado de um Chevrolet El Camino 1968. 
Quando um carro está além da restauração... pode ressucitar como um trailer. 
IFA F7, do início dos anos 50. Carro fabricado na Alemanha Oriental como ferramental que sobrou de antes da II Guerra Mundial. O DKW F9 é idêntico a ele, também dos mesmos anos 50.
Pontiac Bonneville 1960
Caddilac Deville 1965. Ao fundo, vejam um Audi 80 laranja, "irmão" dos primeiros Passat brasileiros.
Fiat Polski 124


AvtoVAZ Lada 2103
AvtoVAZ Lada 2013, para aluguel. Para conhecer Berlim oriental como um membro do governo. 
Variações sobre um mesmo tema - a partir do Fiat 124, surgem o Fiat Polski 124 (carro bege claro), o Lada 1200 (carros azul e amarelo), e o Alfa Romeo Giulia.
Volvo Amazon, dos anos 60. Carro bastante confortável, confiável e muito procurando por quem quer um carro anitgo de preço decente e desempenho atual.
Citroën CX, do início da década de 80. 
Mercedes 280 SL conversível


Chevrolet Camaro, Dodge Charger, Plymouth GTX, Plymouth Roadrunner... "Muscle cars" norte americanos importados para Berlim.
Renault 5, caracterizado para competições.
Mercedes 220SE "fintail"
Porsche 944
BMW Isetta.





Vários Alfa Romeo presentes, todos muito bonitos.
Mercedes 180, conhecido por Ponton.
Rolls-Royce Silver Shadow, dos anos 80. Importado usado do Reino Unido (vejam o volante ao lado contrário ao usual).


Borgward Isabella conversível. Um carro lindo ao vivo.
Fiat 500. Charme que cabe numa bolsa, mas não cabe na conta bancária.


Volvo P1800. Outro carro lindo demais. 
Dodge Charger 1970
Audi 100 coupé 1970, e Peugeot 404 táxi.


Este Peugeot 404 continua trabalhando como táxi, aos finais de semana. Um dia eu faço uma corrida com ele, só para poder ter uma história para contar. 
Porsche 911 Carrera, provável participante de rallye de regularidade.
Borgward Isabella Coupé
Dois alemães, de tempos distintos. BMW Isetta 1958, e Porsche 911 1984.
Fiat 124 coupé.
NSU R80, um dos poucos carros fabricados na Alemanha com motor rotativo Wankel.
Mercedes 190SL
Opel Kadett B cupê
Opel Kadett B sedan
Opel Manta A
A "irmã" da Chevrolet Marajó, Opel Kadett CarAvan C
Audi 100 e Opel Rekord B para aluguel
VW T1 "Bulli" modelo Samba, 1959. 


Nunca tinha visto um Lamborghini Countach ao vivo. E só no Remise pude ver dois de uma vez.






Goggomobil 1958. 
Fiat 600 Multipla.




Opel Admiral B estacionado num canto, provavelmente é carro de algum vendedor de peças.



Oldimer-Markt Wünsdorf.


E agora, fotos de um outro encontro, em Wünsdorf, vilarejo há 50 Km de Berlim. Ao contrário o Classic Remise, neste o clima é muito mais informal e a grande maioria é composta de veículos do bloco socialista, o que acaba sendo bem interessante de ver. O dia ensolarado ajudou bastante, e o local, como esperado, estava cheio.


AWE Wartburg 353 Tourist e IFA Trabant 601
AWE Wartburg 353 sedan



Skoda 1200
IFA FRAMO dos anos 50/60 e AWE Barkas B1000
GAZ Volga M21, do início dos anos 60. Este era o carro típico de altos membros do governo, ou da STASI.

AWE Wartburg 311. Esses foram os "pais" do Wartburg 353, que tinham muito estilo e linhas suaves. Hoje custam bem caro aqui, especialmente o modelo conversível.
Wartburg 311 Tourist. Linda perua (ou carrinha, para os leitores portugueses).
Wartburg 311 conversível.
Wartburg 353 com farois de neblina e teto solar, acessórios bastante procurados na época. Vejam que a placa dele é da antiga Alemanha Oriental.
BMW 502
Parece BMW... mas não é. Esta é uma moto chinesa, fabricada sob licença da EMW nos anos 50.
(sim, você leu certo, é com "E" mesmo; a EMW foi criada pela Alemanha Oriental a partir da fábrica de motos da BMW em Eisenach, existente até o fim da II Guerra).
Fiat Polski 124
Um Wartburg 353 "irmão gêmeo" do Frank e um GAZ Volga M21.
Wartburg 311 modificado ainda nos tempos do Muro de Berlim.
Lada 2103.

Wartburg 353 dos anos 80, que serviu de base para o ensaio fotográfico desta jovem alemã. 

sábado, 28 de novembro de 2015

Frank - diagnóstico e nova internação

Como dito na postagem anterior, o Frank chegou em casa tossindo, mancando até parar na vaga e de lá não conseguir mais sair por força própria. Seguiram-se pesquisas e contatos com conhecedores (amadores e profissionais) de Wartburg e DKW, tanto aqui na Alemanha como no Brasil, e o diagnóstico acabou sendo junta de cabeçote queimada, provocada por um carburador que talvez já tenha tido dias melhores. Para quem não se lembra, veja o post anterior e agora com o vídeo das pipocadas que o Frank deu na estrada:


Muni-me de minhas ferramentas, manual de oficina em Alemão (ou seja, com boas figuras e um verdadeiro bingo de palavras que eu entendia num mar de outras ininteligíveis para mim) e outras informações da internet, e pus-me à obra. Contei com a inestimável ajuda da Adriana para ligar o carro, pegar alguma peça ou ferramenta e outras tarefas que são necessários mais de um indivíduo. 

Comecei pelo carburador, tirando-o e limpando-o e trocando a junta e giclês e injetores. Coloquei lá de volta, e o carro infelizmente estava igual ou seja, cuspindo fumaça azul esbranquiçada e difícil de pegar. Conferi as velas e as três estavam faiscando normalmente, como devia ser. Logo, a única alternativa cabível era trocar a junta de cabeçote. 


Garagem escura, Frank sem frente... e assim seguimos.
A foto não mostra, mas o motor está no ponto. Acreditem em mim. :-)
Há faísca nas três velas, portanto não é ignição.
Fumaça...
... mais fumaça...
...e MUITA fumaça branca. A junta do cabeçote se foi.
Adriana dispersando a fumaça na garagem. Parecia que estávamos na Serra do Mar.
Como não tinha jeito, parti para trocar a famigerada junta de cabeçote, praguejando a oficina anterior por não ter nem pensado nisso e me cobrado uma fortuna pelo serviço mal feito. Alguns vizinhos chegavam perto e conversavam - ora em Inglês, ora em Alemão (neste caso, era uma conversa de doido pois entendia-se pouco e falava-se o que vinha na cabeça...).  Tudo corria mais ou menos bem, até que o cabeçote não saía nem pelos poderes de Greyskull, como diria He-Man. Voltei à pesquisa e descobri que este cabeçote só sai se os prisioneiros forem tirados, então comprei porcas para tirá-los mas... só quatro saíram, os demais espanavam as porcas (e acho que também riam da minha cara... afinal, eles estão lá há 43 anos e não seria um luso-brasileiro besta que os sacariam de lá). Intrigado e ciente de não ter todas as ferramentas adequadas, comprei pela internet sacadores de prisioneiros, já planejando concluir o trabalho. 

Numa outra noite, enquanto tentava tirar o quinto prisioneiro (esse que está mais alto na foto abaixo), chegou o zelador do prédio. Para falar coisas doces sobre o carro? Não. Para me oferecer uma cerveja? Também não. Para dizer que eu não podia mexer no carro lá na garagem? Sim, acertou! Ainda por cima ele reclamou da água do radiador que estava "sujando a garagem"... mas espera. Essa garagem tem poeira desde os tempos em que o Muro de Berlim era uma realidade cotidiana e o cara me vem falar que a água está sujando a garagem?? Só se ela foi feita de açúcar...

Operaçao de remoção do cabeçote. Quem disse que os prisioneiros querem sair?
Apenas quatro dos oito prisioneiros saíram até agora. Lá fui eu comprar um extrator de prisioneiros...
Resignado, entristecido e frustrado, voltei ao recanto do apartamento e pensei no que fazer. Saí à procura de outra alternativa até que uma luz se acendeu em minha mente - dias antes, fui até o vilarejo de Prettin, perto de um monte de outros vilarejos e longe de qualquer cidade grande, e conheci um mecânico / vendedor de peças que faz serviços em carros alemães orientais - a placa em frente à oficina / loja / casa dele já diz alguma coisa... Um parênteses: neste interim, chegaram as ferramentas que comprei - aliás, de ótima qualidade - e a sensação foi a mesma de receber pelo correio, os ingressos para um show que acontecera na semana anterior. Pelo menos eu ainda posso usá-las, um dia, em algum outro lugar. 


Medidor de compressão de cilindros, dois tipos de sacadores... ferramentas de ótima qualidade, que um dia serão usadas em algum outro lugar. 
A frente da casa / oficina / loja do cidadão. IFA era o conglomerado fabril Alemão Oriental, que reunia os fabricantes de carros, caminhões, tratores e motocicletas. 
Escrevi um e-mail usando meus parcos conhecimentos de Alemão, e nos entendemos de modo a ele vir buscar o Frank com uma carretinha e fazer o que precisa ser feito no carro (aproveitando para me trazer uma encomenda... que deixo para contar numa próxima postagem) e posteriormente eu ir buscá-lo na oficina no meio do mato lá em Prettin. E ontem finalmente foi o dia em que o Frank foi para (mais um) conserto, esperando ser o conclusivo - saí mais cedo do trabalho para ajudar na retirada e, depois de uma certa movimentação e planejamento, conseguimos enfiá-lo na carretinha para seguir viagem até os confins de Brandenburgo, para retornar saudável para Berlim após duas ou três semanas. Mais histórias em breve!

Frank em preparação para ser transportado "de ambulância", para o médico - aliás, o "Doutor" que vai cuidar dele é quem está em cima da carreta. 
Frank já carregado na carretinha. Até o pedinte olhou curioso. 


















sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quando a volta é pior que a ida.

O Frank foi ao médico, pois como escrevi antes ele estava cada vez mais fraco e ranheta, e não pude concluir o diagnóstico na garagem onde ele fica.


O paciente foi mandado de volta para casa, mas com encaminhamento para um endocrinologista (ou um "carburologista"). Resultado dos exames e procedimentos efetuados:
  • O motor está com compressão normal - 7.5:1 os cilindros 2 e 3, e 7.25:1 no cilindro 1. 
  • Cabos, bobinas, soquetes de velas, velas, ignição... tudo trocado e em conformidade.
  • Nenhum sinal de junta de cabeçote queimada, ou mistura de óleo com combustível.
  • Bomba de combustível reparada preventivamente, estava normal.
  • Carburador manhoso, não acerta nenhuma regulagem.
Resultado: o carro saiu de lá pipocando até aqui (35 Km), e nos dois quarteirões finais ele ficou ridiculamente fraco e sem subir rotação, chegando à garagem quase em marcha-lenta. Veja no videozinho tosco o barulho que faz na estrada, e que só foi piorando no trajeto. 

Parece mesmo que o carburador e a ignição precisam de alguém que o s entenda. Lógico que o serviço foi (bem) cobrado, e lógico que estou puto por não ter resolvido, mas pelo menos é reconfortante ver que não é mesmo nada que requeira intervenção maior no motor.

No domingo, resolvi dar uma olhada e o carro, além de muito fraco, voltou a demorar para ligar. Tirei o carburador fora para revisá-lo, e quando vi as velas, uma estava normal, a segunda estava meio úmida, e a terceira está preta e úmida, portanto a ignição também continua ruim. A saga continua, então. Saco! E como todos gostam, vejam as fotos dele em mais esta etapa, que inclui a instalação de um par de faróis de neblina, acessórios de época fabricados também na Alemanha Oriental. 

Super vídeo do Frank pipocando, usando meu telefone GoPro comorçamento limitado.

Motor sem o carburador, para observar as velas. 


Fumaça saindo do cilindro 2, que estava no ponto morto inferior, e portanto com a janela de escape aberta. 
Vela do cilindro 2, úmida. 

Vela do cilindro 3, encharcada. 

Análise de compressão do motor. Pelo menos isso mostra que não há nada de mais sério. 

Interruptor no painel para os faróis de neblina. Bem ao estilo dos tempos da DDR. 

Frank com seus novos faróis de neblina, acessórios de época.  

domingo, 25 de outubro de 2015

Minha mãe dizia...


Minha mãe me dizia, entre várias coisas, sempre para que eu tivesse juízo e parasse de ir atrás de coisas velhas; hoje eu vejo que devo ter ouvido o primeiro conselho mais ou menos metade das vezes em que ele me foi dado, enquanto que o segundo eu acabei por fingir que não era para mim.
Agora vamos para 13 de Maio de 2015. Eu, brasileiro „puro pobre e besta“ (como dizia Raul Seixas) estava em Portugal para resolver alguns documentos, e lá encontrei com o António, antes que eu partisse para Aveiro. O António é uma figura – numa pequena garagem em Loures, ele tem um DAF modelo 66 com direção à direita (carro vendido em Moçambique), uma Vespa, uma Casal Carina (scooter portuguesa, fabricada nos anos 60 e 70) e um dos únicos Trabant que rodam hoje em Portugal. 

Eu e o "Cartãozinho", o Trabi de meu amigo António.

O motivo do encontro tem a ver com falta de juízo – pois dias antes havia visto um anúncio no OLX de Portugal que muito me interessou… o objeto em questão estava em Salvaterra de Magos, cidade 60 Km ao norte de Lisboa, local com várias fazendas, poeira de terra e vida aparentemente pacata. O António já havia feito o primeiro contato com a pessoa, e lá fomos direto do Aeroporto de Lisboa para a tal localidade, encontrar com o Sr António (sim, mais um António).  Chegamos lá, vimos a coisa, negociamos e chegamos a uma definição comercial que agradasse a ambos e fechamos negócio, levando o tal mimo para Lisboa, para posterior envio até Berlim.
Lógico que você já imaginou (corretamente) se tratar de um carro, agora qual carro era? O „objeto“ é esse aqui das fotos ao lado do Trabant.


"Cartãozinho" e Eusébio, lado a lado. (crédito da foto: António de Freitas)
Foto do anúncio no site de vendas (é esse mesmo que você está pensando)

Eusébio esperando o embarque.
Detalhe da traseira, do anúncio no OLX. 
Interior do carro, foto do anúncio. 

Quase acertou quem disse que é um Opala – o Eusébio (lógico que ele já tem nome) é um Opel Rekord C 1971, que foi o carro que deu origem ao Chevrolet Opala no Brasil, e que obviamente possui várias semelhanças e algumas diferenças importantes em relação ao „irmão“ brasileiro. Considerando o ano de fabricação, dá para notar que o acabamento do Opel Rekord é um tanto melhor que o do Opala, com arremates melhores, plásticos de melhor qualidade e a presença de alguns itens como acolchoamento não só em cima como embaixo do painel, e descanso de braço no banco traseiro. Por outro lado, o motor 4 cilindros 1.9L pena um pouco para tirar o carro do lugar – o conjunto foi desenvolvido para a realidade das cidades e Autobahnen alemãs ocidentais (quando existiam artificialmente duas Alemanhas), onde não é necessário tanto torque em baixas rotações em favor de mais de velocidade final e economia de combustível. O motor do Eusébio já viu dias bem melhores – está fumando um pouco e consumindo óleo, o que explica em parte o desempenho pouco emocionante, mas por outro lado ele não faz nenhum barulho anormal, tampouco esquenta. Levá-lo até Lisboa, foi bastante tranquilo e prazeroso – ele se comportou bem, e os problemas que ele tinha não representaram preocupação alguma. Depois de quase um mês de espera, a transportadora finalmente o entregou em Berlim, e da garagem ele foi para uma oficina para fazer uma revisão mecânica, trocar pneus e fazer as inspeções para o TÜV e placa histórica. O negócio ficou bem caro, mas agora dá para rodar com segurança e também registrá-lo na Alemanha e circular com ele nos centros urbanos já que veículos históricos não precisam fazer a inspeção de emissões, a qual ele obviamente seria reprovado.
Eusébio e Frank, lado a lado na garagem - dois alemães contemporâneos, um ocidental e outro oriental.
Frank e Eusébio
Eusébio e Frank
Pois é, e graças à ajuda de um António, fomos até outro António resgatar um irmão distante do Toninho, que assim que receber a placa alemã circulará pelas estradas alemãs. E também resolver um probleminha elétrico nele e trocar uma borracha de porta… bem que minha mãe dizia para eu ter juízo…