Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

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domingo, 25 de outubro de 2015

Minha mãe dizia...


Minha mãe me dizia, entre várias coisas, sempre para que eu tivesse juízo e parasse de ir atrás de coisas velhas; hoje eu vejo que devo ter ouvido o primeiro conselho mais ou menos metade das vezes em que ele me foi dado, enquanto que o segundo eu acabei por fingir que não era para mim.
Agora vamos para 13 de Maio de 2015. Eu, brasileiro „puro pobre e besta“ (como dizia Raul Seixas) estava em Portugal para resolver alguns documentos, e lá encontrei com o António, antes que eu partisse para Aveiro. O António é uma figura – numa pequena garagem em Loures, ele tem um DAF modelo 66 com direção à direita (carro vendido em Moçambique), uma Vespa, uma Casal Carina (scooter portuguesa, fabricada nos anos 60 e 70) e um dos únicos Trabant que rodam hoje em Portugal. 

Eu e o "Cartãozinho", o Trabi de meu amigo António.

O motivo do encontro tem a ver com falta de juízo – pois dias antes havia visto um anúncio no OLX de Portugal que muito me interessou… o objeto em questão estava em Salvaterra de Magos, cidade 60 Km ao norte de Lisboa, local com várias fazendas, poeira de terra e vida aparentemente pacata. O António já havia feito o primeiro contato com a pessoa, e lá fomos direto do Aeroporto de Lisboa para a tal localidade, encontrar com o Sr António (sim, mais um António).  Chegamos lá, vimos a coisa, negociamos e chegamos a uma definição comercial que agradasse a ambos e fechamos negócio, levando o tal mimo para Lisboa, para posterior envio até Berlim.
Lógico que você já imaginou (corretamente) se tratar de um carro, agora qual carro era? O „objeto“ é esse aqui das fotos ao lado do Trabant.


"Cartãozinho" e Eusébio, lado a lado. (crédito da foto: António de Freitas)
Foto do anúncio no site de vendas (é esse mesmo que você está pensando)

Eusébio esperando o embarque.
Detalhe da traseira, do anúncio no OLX. 
Interior do carro, foto do anúncio. 

Quase acertou quem disse que é um Opala – o Eusébio (lógico que ele já tem nome) é um Opel Rekord C 1971, que foi o carro que deu origem ao Chevrolet Opala no Brasil, e que obviamente possui várias semelhanças e algumas diferenças importantes em relação ao „irmão“ brasileiro. Considerando o ano de fabricação, dá para notar que o acabamento do Opel Rekord é um tanto melhor que o do Opala, com arremates melhores, plásticos de melhor qualidade e a presença de alguns itens como acolchoamento não só em cima como embaixo do painel, e descanso de braço no banco traseiro. Por outro lado, o motor 4 cilindros 1.9L pena um pouco para tirar o carro do lugar – o conjunto foi desenvolvido para a realidade das cidades e Autobahnen alemãs ocidentais (quando existiam artificialmente duas Alemanhas), onde não é necessário tanto torque em baixas rotações em favor de mais de velocidade final e economia de combustível. O motor do Eusébio já viu dias bem melhores – está fumando um pouco e consumindo óleo, o que explica em parte o desempenho pouco emocionante, mas por outro lado ele não faz nenhum barulho anormal, tampouco esquenta. Levá-lo até Lisboa, foi bastante tranquilo e prazeroso – ele se comportou bem, e os problemas que ele tinha não representaram preocupação alguma. Depois de quase um mês de espera, a transportadora finalmente o entregou em Berlim, e da garagem ele foi para uma oficina para fazer uma revisão mecânica, trocar pneus e fazer as inspeções para o TÜV e placa histórica. O negócio ficou bem caro, mas agora dá para rodar com segurança e também registrá-lo na Alemanha e circular com ele nos centros urbanos já que veículos históricos não precisam fazer a inspeção de emissões, a qual ele obviamente seria reprovado.
Eusébio e Frank, lado a lado na garagem - dois alemães contemporâneos, um ocidental e outro oriental.
Frank e Eusébio
Eusébio e Frank
Pois é, e graças à ajuda de um António, fomos até outro António resgatar um irmão distante do Toninho, que assim que receber a placa alemã circulará pelas estradas alemãs. E também resolver um probleminha elétrico nele e trocar uma borracha de porta… bem que minha mãe dizia para eu ter juízo…