Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Em pé por meios próprios

Parece mas não é a pick-up dos Flintstones. Nem é movida a álcool.
Esta cena ao lado não vao mais se repetir, onde um monte de tiozinhos em diversos estados de embriaguez decidem me presentar com uma foto de fim de ano com a minha querida C10. Calma, ninguém da foto morreu, muito menos a Olívia.  É que agora ela já está em condiçoes de ficar em pé por meios próprios ou seja, a suspensão dianteira está toda montada no lugar, com peças novas e devidamente ajustada. O sistema de direção também, já com caixa de direção hidráulica e coluna de direção ajustada no comprimento adequado. Agora só faltam alguns pequenos ajustes de altura da barra de direção e, pronto! Esta parte estará completa. 

Pontas de eixo, discos e pinças dos freios dianteiros, chegados do Banho de Zinco.
Quandro de suspensão dianteira e todas as peças da suspensão, após banho de Zinco e pintura a pó.
Bandejas e pontas de eixo no lugar. Só faltavam as molas e barra de direção.
Olívia com a suspensão dianteira e direção prontas.
A lista de coisas a fazer ainda é maior que a lista de tarefas concluídas, mas com tempo, dedicação e dinheiro (ah sim, o vil metal...) ela vai ficar bem legal. Entre as coisas a fazer há a suspensão traseira - fácil e rápida de fazer, e que receberá atenção quando a coroa e pinhão do diferencial forem substituídas - os freios que precisam de um servofreio e revisão completa, e daí é partir de vez para a adaptação do motor V8 e câmbio de 5 marchas (incluindo escapamento completo, o que não será barato). E olha como fica o cofre do motor já com o 350 instalado. Parece que nasceram um para o outro!
Motor V8 350 encostado no lugar onde será a nova moradia dele.
Ainda não vai parar por aí - tem que regularizar a documentação, funilaria para fazer, cromeação e polimento de alguns itens, instalação de ar condicionado, revisão elétrica completa e colocar rodas e pneus adaptados para esta nova "realidade" dela. Com bom planejamento e foco, até o final do ano ela estará pronta. Até eu inventar de fazer mais alguma coisa nela...





segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sapatos novos e um motor feliz

Após 18 anos sem grandes evoluções, o Silvestre ganhou sapatos novos, em substituição aos pneus antigos -  dois pneus dianteiros ressecados estouraram ao guinchá-lo e os outros dois traseiros foram trocados por pneus radiais juntamente com os dianteiros, já que é pouco prudente manter pneus tão antios num carro. A aparência dele melhorou bastante só com a troca dos pneus, dava para notarjá (veja as fotos abaixo e comprove):

Calçando os sapatos no Silvestre.
Uma das rodas já com os pneus 175/70 R13 calçados.

Enquanto instalávamos a coluna de direção, que havia sido retirada para ser destravada e colocar uma chave no miolo de ignição, mais detalhes curiosos eram vistos no carro - os mais interessantes foram os casulos de vespa por dentro da grade e ao lado do pisca dianteiro esquerdo. Nota-se com isso que o carro não via água há anos... também foi possível ver que só mesmo a dianteira vai precisar de funilaria, especificamente abaixo da grade do carro, que é o único lugar com podres - sintoma já existente desde os tempos em que ainda existiam concesionárias Chrysler fazendo este tipo de conserto.

Casulo de vespas por detrás da grade.
Casulo (bem pequeno) de vespas ao lado do pisca dianteiro esquerdo.
E de presente, o Silvestre decidiu retribuir. Após anos parado, sem o menor sinal de vida, o motor funcionou após encher-se a cuba do carburador com gasolina e se insistir algumas vezes na ignição. Isso por si só já seria impressionante pois não foi trocado óleo nem as velas foram limpas, mas a história fica ainda mais interessante ao se saber que o motor ficou em marcha lenta funcionou perfeitamente, sem o menor sinal de entupimento do carburador; e que além de tudo ele funcionou completamente sem água, por conta da corrosão generalizada da placa de montagem da bomba d'água e das mangueiras completamente ressecadas. Com isso, o Silvestre foi por meios próprios para o elevador da oficina, para ter uma revisão completa nos freios (está sem nada de freios) e receber todos os cuidados básicos como troca de óleo e filtros, substituição de mangueiras, troca de bombas de água e combustível e mais quaisquer outros itens para poder rodar seguramente por aí.  Logo abaixo tem um vídeo bem curto do Silvestre sendo manobrado, enquanto um amigo meu vai colocando gasolina na cuba do carburador. Uma daquelas coisas que muitos não acreditam quando contamos.
O obediente e positivo motor do Silvestre.
Silvestre no elevador.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Alegria e chateação.

Oi gente,
Hoje mando um post bem rapidinho, para atualizar as coisas e também desabafar um pouco.
O Don (Malibu) foi o veículo oficial de transporte do sogro e da sogra no aniversário de 42 anos de casados deles. Fomos jantar na Cantina Speranza em Moema (bairro de São Paulo) todos os 5 no Don e ele se comportou de maneira exemplar, sendo também o centro das atenções naquela gostosa noite de quinta-feira.  Ótima experiência para todos, com todos saindo do carro sorrindo.
Mas hoje... vi que o Toninho ganhou uma raspada no para-lamas dianteiro esquerdo, quase que certamente do vizinho de vaga no prédio onde ele está guardado - afinal os riscos são prata e o carro vizinho de vaga - mesmo que sem riscos - também é prata. Felizmente não amassou nenhum friso, mas isso me deixou bem irritado e chateado, pois além do dano à pintura, não tinha UM bilhetinho sequer pedindo desculpas e se oferecendo a cobrir a despesa de polimento/repintura. Acidentes acontecem, mas isso é pura falta de civilidade. Que saco! Por essas e outras é que eu sigo com a ideia de um terreno para ter todos os carros mais perto de mim, e num lugar mais seguro contra este tipo de coisa (ou piores). Bom, pelo menos é coisa fácil de consertar. Amanhã eu escrevo mais, sobre mais novidades.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sai um, entra outro.

Bom dia, amigos! Feliz 2013, mesmo que com atraso. E para não perder tempo, vamos ao assunto do post - dois carros mudaram de dono na última semana de 2012.
Berçário do Silvestre.
No dia 26 de Dezembro de 2012 o Puma GTB mudou de mãos - saiu do acervo pessoal deste que escreve para um novo lar. O Sr Jorge e sua filha Sara vieram ver o carro, gostaram, acertaram o preço e levaram ele para sua nova residência em Campinas. Este foi o típico bom negócio para todos - para o Sr Jorge que satisfez um gosto de muito tempo e que, por um preço justo, vai ter um carro para cuidar e desfrutar, e para mim que o vendi pelo valor correto e para uma pessoa que vai dar a atenção que um Puma GTB merece. É só ver o meu post "Puma GTB - um carro de comportamento selvagem" para recordar que este é um carro ciumento, não gostando de dividir atenção com outros colegas de garagem de mesma idade. Boa sorte para o Sr Jorge (além de muita saúde e sucesso no tratamento médico em que está passando)! E ao Puma, agradeço pelos momentos felizes e os nem tanto (vieram as experiências do que fazer e não fazer), e que ele seja feliz no novo endereço.

Eu, Sara e o Puma GTB no ato da venda.
Puma GTB, eu e um feliz Sr Jorge, novo proprietário do Puma, no ato do fechamento do negócio.

E como ideia de jerico é como parente chupim ou seja, chega de repente e demora para sair, sucumbi à tentação e trouxe o Dodge 1800 para a família. O Silvestre chegou no dia 28 de dezembro de 2012 num guincho, e trazendo com ele uma tonelada de sujeira, uma coluna de direção travada e dois pneus dianteiros estourados por ressecamento. Para compensar os "extras", os documentos estão bem guardados - tão bem guardados que ninguém sabe onde estão e este vai ser um desafio e tanto para acertar papelada dele. As chaves dele devem estar junto com os documentos, então a coluna precisou ser removida para qe um chaveiro pudesse fazer o desbloqueio e depois uma cópia da chave.

Silvestre, seja bem vindo à família!
O porta-malas, devidamente aberto com uma chave de fenda que arrancou o miolo de chave já quebrado, revelou um interior bem íntegro, lixarada de dar medo, e também outras boas surpresas como o estepe com pneu originais, tapete do porta-malas original, conjunto macaco, chave de roda e triângulo originais do carro, uma peça ou outra com embalagem de época, além de um pacote vazio de cigarro Galaxy e uma garrafa d'água completamente ressecada. Uma ótima surpresa foi também não ter encontrado nenhuma barata ou rato dentro do carro - e olha que a possibilidade era grande. O objeto mais novo encontrado no porta-malas dá uma ideia de quando ele deve ter trafegado pela última vez - Junho de 1994 ou seja, quase 19 anos sem passear pelas ruas. Sorte a dele, pois poderia muito bem ter virado transporte de escada de pintura, depois ter o teto cortado para carregar papelão e por fim acabar seus tempos engolido por uma panela em uma aciaria qualquer.


Porta-malas do Silvestre. Imundo, mas praticamente novo.

Silvestre com o capô aberto expondo a "usina de força". Vejam ao fundo a Olívia, que assiste a tudo imóvel, esperando a montagem da suspensão dianteira.
Há relativamente pouca coisa para fazer no Silvestre para que ele volte à vida em plena capacidade, mas o passo vai ter que ser meio devagar. Afinal, tem outros carros para dar atenção (como o Don, que ainda tem coisas a fazer, a Olívia que está numa mega-cirurgia e o pobrezinho do Irineu que vai precisar de uma restauração grande) e se ele ficou mais de 18 anos sem uso frequente, ele pode certamente esperar um pouquinho até que o porquinho volte a ficar mais cheio de moedas, um dos carros fique mais próximo do "pronto", e assim receber mais atenção. Isso e eu aguentar vê-lo quieto...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que é que você foi fazer no mato?


Uma viagem a 1948.
Vésperas de Natal costumam ser bem previsíveis para a maioria esmagadora das pessoas. Uns vão trabalhar nas lojas que aproveitam até o último minuto desta festa do consumismo para poder lucrar um pouco mais e assim equilibrar as contas desfalcadas pelo 13º salário dos funcionários e também dos impostos de Janeiro. Outros estão nestas mesmas lojas, fazendo as compras de última hora para um parente ou amigo, enquanto que outros estão trabalhando no preparativos para a ceia de Natal.
Enquanto isso, eu fui aprontar uma boa aventura, algo que faz tempo que não fazia - ir até algum lugar meio longe (e não necessariamente bonito) atrás de carro antigo, peças e coisas antigas. Graças a uma dica bacana do amigo da lista do Opala, o Anderson Castro (autor da maioria das fotos vistas aqui), nos embrenhamos para lá de Itapecerica da Serra num sítio isolado por uma estradinha de terra. O Anderson acabara de comprar uma carroceria quase perfeita de uma Variant e viu todos esses carros bacana ali, em repouso num galpão, ao sabor de chuva leve e muita poeira. 

Chegar lá já foi uma aventura por si só - trânsito, voltas mil e alguns telefonemas e, duas horas e meia depois de ter saído de casa, lá estava eu no local, que parecia ter sido abandonado às pressas porcausa de uma guerra, sem ter nunca mais sido habitado novamente. Somos recebidos por um simpático e falastrão senhor, proprietário de quase tudo o que está lá. A poeira dominava, não havia água para lavar as mãos, mas em compensação fui brindado por um trio e tanto - uma pick-up Chevrolet Brasil (provavelmente 61 ou 62), uma raríssima perua Chevrolet Amazonas (mesmo ano) e uma Veraneio de Luxo (provavelmente 68 ou 69) paradas lado a lado, semi desmontadas mas com funilaria perfeita e prontas para receber pintura e montagem (já que todas as peças delas estavam lá). Pergunto de curiosidade se elas estavam à venda e ele me responde: "Filho, até minha ( ! ) tá a venda aqui." Sim, por R$15.000 o felizardo endinheirado poderia adquirir qualquer um daqueles carros e dar o trato que eles urgem receber. Mas o melhor ainda estava por vir...
Chevrolet Brasil em busca de um dono.
Chegar num lugar e dar de cara com um motor Lexus V8 com câmbio, e com um Ford Y-block não é coisa que acontece todo o dia.
Chevrolet Amazonas (só vi duas de perto até hoje, e nenhuma tão lisa quanto essa) e Chevrolet Veraneio (igualmente lisa).
Seguimos para o outro galpão... e lá sim a mágica acontece. Lá naquele galpão estavam 12 carros - ou o que restou deles - parados, como se estivessem paralisados esperando por um destino mais digno que o esquecimento. Eram eles, dois Fusca (um 67 com motor 1200, e um que parecia ser 79), um TL meio caído, a Variant I 73 do Anderson (que será receptora de outra Variant I, só que 70), uma perua Fiat Panorama (enferrujadinha, coitada...), e um Citroen XM 92 V6 precisando de vários reparos (conhecido como "caminho para a falência"). 
Uma parte do galpão. E todos eles lá, dormindo...

Fusca 67 precisando de carinho. E um bom despachante para fazer novos documentos.
E junto deles, ainda há um judiado Skoda Tudor (aparentemente) sedan 2 portas, ano 1950, um Ford 1929 2 portas aparentemente completo, um Gurgel BR800 com motor de Fusca, um monte de peças que outrora compunham um Aero Willys sabe-se lá que ano (certamente pós 64, considerando-se a traseira), um Plymouth Sedan de Luxe 1948 LIN-DI-MAIS-DA-CON-TA, e um par de Dodge 1800 - sendo um Polara GL 81 automático e com painel Veglia (raro) e um simpaticíssimo Dodge 1800 aparentemente 75, com apenas 60.000 Km originais e carente de um bom banho, manutenção básica e um dono. Ah, e um bom despachante também. E pneus novos. Além de um bom chaveiro para fazer chaves para ele.

Skoda Tudor 50 e Ford A 1929, esperando por uma oportunidade de resgate.
Carros emparelhados, num experimento involuntáro de coleta de poeira e resistência à ação implacável do tempo.
Plymouth Sedan de Luxe 1948, impávido colosso que espera só por uma chance de um novo lar...
Plymouth 48 e o Dodge 1800 marrom, com apenas 60.000 Km originais.
Ainda neste galpão haviam motores, câmbios, caçambas, rodas... uma infinidade de peças que nunca imaginei que fosse encontrar por lá. E quase tudo com bons preços, mas acesso difícil. Perguntei o preço do Plymouth 48 e realmente está convidativo considerando o carro e estado de conservação. Falei par ao dono dele que só poderia conversar algo se vendesse o Puma GTB, ao que ele se prontificou: "Calma. Se vc quer o carro, ele é seu, depois a gente acerta". Recusei a tentadora proposta, afinal aprendi a não contar com o ovo no fiofó da galinha e muito menos a depois ficar pensando onde enfiar um carro tão grande sem que se tenha vaga de garagem para isso. 

Já o Dodginho... ai este Dodge 1800... servindo de casa para pó e insetos como se estivesse preso a uma cápsula do tempo, com essa padronagem de tecido tipicamente setentista (em tons de preto, marrom e laranja, como era na época), o interior sujo mas inteiro, quase tudo inteiro (só o banco do motorista está rasgado no assento) com itens que não se veem hoje como volante original, rádio Chrysler original, pintura ORIGINAL, NENHUM AMASSADO no carro... tentador. Eis que o simpático tiozinho me oferece "leva os dois Dodge por $X e eu te dou aquele motor de DKW que vc gostou". Foi difícil segurar a oferta, mas recusei ajudado por ter que levar dois carros de uma só vez, sem ter espaço na conta bancária e na garagem para eles.

Abre-se a porta para uma viagem (bem empoeirada e suja) para os anos 70.
Lateral traseira sem nenhum amassado, nem podre. Nem a Chrysler conseguia fazer isso em 1975.
 
Interior do Dodge 1800, modelo básico. Carpete de borracha original, painel sem nenhuma trinca e com rádio original, e volante praticamente perfeito.
Andamos por outros dois galpões com várias peças de caminhões e tratores novos e antigos, muita bugiganga, muita boa conversa trocada e para não dizer que saí de lá de mãos vazias, comprei um ventilador GE do final dos anos 60, que após uma boa limpeza será o mais novo enfeite da sala de casa.  Empurramos a Variant para o guincho e cada um de nós seguiu seu destino. E tanto o Dodge 1800 marrom quanto o Plymouth 48 não saíram dos meus pensamentos... o Plymouth tem um estilo fantástico, está inteiríssimo... mas tem o preço e o espaço que ele requer (ele é do tamanho de uma Blazer, se não for maior). O Dodginho marrom... bom, muita coisa tem que acontecer ainda - pelo menos vender o Puma GTB e dar um encaminhamento na Olívia, cuja obra é grande - então é algo para cogitar para o futuro. 

No fim das contas, foi muito divertido fazer tudo isso, sem GPS nem ideia de onde ir muito menos do que encontrar, e sair de lá sujo, cansado mas muito feliz e com a certeza que preciso fazer isso mais vezes e que ainda há muito o que ser explorado (e do quantas surpresas a vida pode te proporcionar, se você estiver disposto). Tal qual fazia há uns 12, 13 anos, sem ter um tostão furado na carteira, mas com muita disposição para compensar. Para mim, um presentão de Natal que ganhei.
  
Variant I saindo do repouso, a caminho de um longo mas promissor tratamento.

domingo, 18 de novembro de 2012

Tratamento intensivo de Olívia - parte I

Olívia e a caixa preta com os motores.
Olívia está num intensivão de reciclagem física, o que significa que no momento ela está num elevador automotivo, desprovida de suspensão dianteira, motor, câmbio, radiador e subchassi.
 
Nada disso é em vão. O motor dela já chegou, junto com o do Don (dois motores Chevrolet 350 Gen IV, marinizados pela Mercruiser, e com injeção eletrônica), as peças de suspensão foram para limpeza e banho de zinco (para posteriormente serem pintadas de preto), o câmbio de Blazer V6 está nos preparativos para ser acoplado ao motor novo, e as rodas, ah as rodas... serão substituídas por outras recém adquiridas, originais de Veraneio de Luxo - com o mesmo desenho, mas aro 15 e largura maior, o que a vai deixar com uma relação de transmissão final melhor e provavelmente mais macia de rodar (os pneus diagonais aro 16 que estão nela estão mais ressecados que a pele de cortador de cana). Esta semana encontrei a caixa de direção hidráulica, e com isso lá se vai aquela economia que estava fazendo para outras coisas... mas pelo menos vai sair aquela sensação de "navio em manobra" ao dirigí-la com o atual sistema de direção mecânica repleto de folgas dos pivôs e terminais de suspensão.

Motor e câmbio originais. Ótimo tamanho para um Opala ou Chevette, mas para uma pick-up grande...
 
O par de motores - o de baixo é o da Olívia.
O motor original, junto com o câmbio, foram removidos e guardados num cantinho protegido e escuro, para uso futuro em aplicação atualmente desconhecida (traduzindo: vou ver o que fazer depois), mas espero que fiquem pouco tempo onde estão, já que "motor parado é motor quebrado" então melhor mesmo é passar para outro. O câmbio vai ficar comigo, pois é bacana e raro demais para deixá-lo ir embora.

Espaço com folga para o V8 350 e todos os acessórios.
E já que a Olívia está toda acessível, resolvi dar uma olhada por baixo dela - e ela realmente está melhor do que o esperado. O chassi não tem soldas nem trincas, as poucas (mas perigosas) gambiarras estavam só na suspensão dianteira, e até mesmo a madeira da caçamba está conservada (na parte de baixo). Isso é muito bom, sinal que ela foi pouco abusada ao longo de sua vida.

Um chassi íntegro. Acredite em mim, mesmo com as fotos escuras (acima e abaixo).

Bom, agora que a coisa está andando rápido, o fator limitante é o financeiro e isso significa que é provável que ela só volte às ruas no início de 2013, salvo se conseguir vender o Puma GTB e mais algumas peças que não pretendo usar. Isso porque, depois de toda a grana que vai demandar a revisão da suspensão e freios, além da instalação do motor, câmbio e relação de diferencial, ainda tem que fazer o escapamento completo, reformar as rodas, comprar pneus, modificar velocímetro, comprar algumas peças de acabamento, fazer funilaria, documentos e elétrica. Todas coisas que doem no bolso e não se resolvem de um dia para outro. Mas enquanto as coisas não acontecem - nem do lado das "contas a pagar", nem das "vendas realizadas" - vamos curtindo o processo sendo realizado.

domingo, 11 de novembro de 2012

Olívia - a C10 mais lenta do mundo

A vontade de ter uma pick-up sempre existiu. Uma que fosse confortável, com estilo e grande o suficiente para carregar motores, portas, paralamas, e também móveis e vigas de madeira. O Sr Manuel, meu finado pai, era fã das pick-ups Chevrolet - teve uma Veraneio dourada (a qual ele adorava) e anos depois teve duas C-20 cabine dupla - a "pretinha", depois trocada pela "vermelhinha" - e quando eu tinha uma pick-up Corsa ele a usava com frequência para "carregar uns ferros e umas madeiras", devolvendo-a lavada, com tanque cheio, e um rosário completo de coisas que deveria ter feito nela e não fazia.  Por outro lado, nunca quis saber de pick-ups lentas, então Diesel sempre esteve fora de cogitação (principalmente pelo preço exorbitante), e a ideia de uma pick-up hot rod ou mesmo rat rod povoa meus pensamentos desde minha adolescência, junto com os sonhos de um Dodge Dart ou um Opala 6 cilindros.


Olívia, uma C10 de personalidade e sorte.
Pois nessas voltas que a vida dá, recentemente apareceu a oportunidade de começar a tornar tal sonho realidade, pelo e-mail de um amigo de Santana do Livramento (o Alberto Muller, da POAPARTS), anunciando uma Chevrolet C10 77/78 bege, que precisava de um trato mas tinha um preço convidativo. Após acertar preço, transporte para cá, e a vendas de peças para pagamento de parte dela, fechamos negócio. O detalhe é que ela não é uma C10 comum - ela é uma das poucas que saíram com motor 4 cilindros de fábrica, igual ao do Opala, o que foi feito pela Chevrolet na época para concorrer com a Ford e sua F-100 4 cilindros, cujo motor 2.3l foi herdado do Maverick 4. O sucesso da C10 4 cilindros foi, digamos, questionável. O motor era fraco demais para arrastar a pick-up com carga, e para se ter algum desempenho (mesmo que fraco), era preciso acelerar muito o motor e consequentemente o consumo era quase igual ao das C10 6 cilindros. A grande maioria delas acabou sendo convertida para Diesel e passando a vida útil sendo usada e abusada na carga de peso em cidades e principalmente na zona rural.


Tanto espaço no cofre para um motor tão pequeno...
Para sorte da Olívia, ela trabalhou mas não até morrer, e acabou sendo trocada por uma outra pick-up pelos antigos proprietários e ficando guardada até que o besta aqui se habilitasse a ver as fotos dela e depois comprá-la. Depois de alguns dias ela desembarca aqui na cidade e poucas surpresas surgem. "Poucas?" Você pergunta. Sim, foram poucas pois eu já esperava pelo pior e a experiência já me ensinara que, ao ver as fotos de algum carro na internet, divida a expectativa por dois ou três e terá a realidade. E no fim, até que a surpresa foi positiva, já que ela não está com podres, o estofamento está muito bom e o desgaste dela é natural para um carro que foi usado com parcimônia por quase 35 anos a fio. Em compensação, nunca dirigi um carro tão lento na minha vida - é verdade, o Irineu (Gordini) é muito mais ágil que esta pick-up e o motor, já baleado de uso, mal suporta o próprio peso. E a direção dela - mecânica, sem assistência hidráulica - não é pesada mas demanda tantas voltas ao volante que mais parece um navio do que um carro. Além disso, a suspensão dela possui "oportunidades de melhoria" - um jeito bacana de dizer que vai precisar de uma revisão completa e irrestrita, que vai envolver a troca de quase tudo. Freios? Que freios?


Na minha primeira volta com ela, a primeira coisa que aconteceu foi acabar a gasolina. Sim, nem cheguei a dar uma volta completa que ela pipocou e empacou no lugar. Por sorte, minha irmã estava passando e me resgatou para o posto de gasolina, onde enchi um galão de 5 litros e, com gasolina no tanque, Olívia voltou à vida, e mostrou que o que ela tem de valentia, tem de vagarosa... Alguns dias depois, lá foi ela para a oficina do Henrique para "aquela" revisão e alguns fretes neste interim. O traslado foi feito com quatro pessoas dentro, como a foto ao lado comprova as "quatro cabecinhas" lá dentro dela e pela velocidade parecia quase que um cortejo, já que a segui em outro carro e o máximo que chegamos foi 60 Km/h. Mas ainda assim, não é que ela virou a sensação de lá? A sensação só não foi maior porque chegando na oficina, a gasolina acabou de novo, e lá fomos nós de novo encher um galão no posto para abastecê-la. Muito curioso isso - andar ela não anda NADA (duvido que ela tenha passado dos 70 Km/h), mas consome como se tivesse sempre a mais de 200 Km/h. Entendeu por que o motor 4 cilindros não deu certo? 

O charme do interior rústico e funcional da C10.
Mas legal mesmo foi, quando ela foi realmente necessária para um carreto para o meu irmão, mesmo depois de um "tapa" no motor, ela decidir enguiçar na Vila Prudente, numa avenida bem movimentada num sábado de manhã. Além da grande frustração em não cumprir com o dever de ajudar ao meu irmão em algo que ele estava precisando, ficou o mico de esperar pelo Henirque (quem mais, afinal)? chegar para constatar um problema no platinado que meia hora antes havíamos mexido e não funcionado. Foi a única vez que fiquei chateado (ou melhor, puto) com a Olívia, mas isso já passou. E também teve a vez que ela começou a descer sozinha enquanto eu a carregava com peças (culpa de um freio de mão mais psicológico que físico)... enfim, com pouco tempo ela já tem um monte de histórias. Como ainda tem muita coisa a ser feita, vai reunir ainda um montão de outras histórias (espero que de viagens gostosas e momentos de alegria). E que seja bem vinda à família, que mesmo problemática, se diverte muito. O Sr Manuel adoraria vê-la e deixá-la como nova (certamente com um motor mais possante, mas daí é para outro dia), mas deixa comigo que - de um jeito diferente - a Olívia vai voltar à glória.