Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

domingo, 7 de agosto de 2011

Quando o fácil fica difícil

Hoje de manhã fui ver o Valdyr (o Puma GTB) pois o eletricista me informou que as rodas estavam pegando no cubo da roda e não era possível instalá-las. Encafifado, lá fui eu entender o problema e descubro que a pinça de freio é estranhamente mais alta que o cubo, por volta de uns 6mm. Saí e fui almoçar com uma ideia na cabeça - fazer um espaçador exatamente neste tamanho, mas com o cuidado de permitir que as porcas de roda ainda dessem aperto. Chego do almoço e faço o teste com arruelas - daí vem as notícias:
  • A boa: um espaçador vai funcionar, com 5mm já é suficiente. Só vai haver o risco das rodas rasparem nos paralamas, mas vale o risco. Então, toca a fazer os espaçadores!
  • A ruim: as porcas que havia comprado para essa roda (especiais, da Cragar) NÃO CABEM. Sabe por que? A linha Opala saia com porcas de roda com rosca imperial (em polegadas) até 1979, e a partir de 1980 passaram a ter rosca métrica (em milímetros), mas os Pumas EM 1980 (ano do Valdyr) variavam muito por ter estoque antigo da GM. Daí, sob a consultoria de Murphy, comprei as porcas em polegada e as do carro, conforme descobri hoje, são em milímetros. Então chega de chororô e vamos procurar as porcas apropriadas.
Seguem abaixo algumas poucas fotos do carro hoje, vejam como o carro ficou bacana com a roda Cragar na dianteira - quando as quatro estiverem no lugar, vai ficar bem legal!

Notícias das crianças

Amigos, Mando algumas notícias meio-que-rápidas sobre o andamento das coisas por aqui, e assim ninguém fica triste por falta de atualizações:
  • O Toninho está seguindo no PPP (Projeto Placa Preta - para escapar do Controlar), com pequenos percalços perfeitamente controláveis. A foto é de sexta-feira à tarde, quando fui pegá-lo no Ziebart e... o cabo de abertura do capô se rompeu, e por conta disso ficou lá até que eles consigam abrir o capô para a troca do cabo. Segunda-feira o pego, pois na terça-feira tem tapeceiro, que irá trocar o carpete (mal colocado por este que vos escreve) e isolar melhor a parede de fogo (e com isso, diminuir o nível de ruído a partir dos 80 Km/h). Depois, alinhamento, balanceamento e vistoria para PP.
  • Manuela está com um toca-fitas TKR instalado, tudo de eletricidade funcionando (ou melhor, quase tudo pois o lampejador do farol alto não está funcionando), retrovisores redondos originais devidamente instalados, trocadas as lentes das lanternas traseiras por outras com o brilho original, e sem aquele monte de coisas no salão dela. Também foi feito todo o serviço no câmbio, instalação de alternador, ignição eletrônica, alinhamento, balanceamento, troca de amortecedores (incluindo de direção). Depois de tudo isso e comprar todas as peças de funilaria necessárias para o serviço a ser feito futuramente, ela foi colocada para uso, mesmo que limitado pois o assoalho está ruim. Afinal, depois de gastar uma pequena fortuna nela e chegar à quase insolvência mês passado por conta disso, é hora dela retribuir. A foto ao lado é dela no último encontro na quarta-feira, onde ela passou frio mas aqueceu a mim e amigos. Colocamos 3 cadeiras e uma mesa de aço dentro do salão... e não é que as 6 pessoas couberam confortavelmente? Aliás, doações de um banquinho de madeira, mesa dobrável (de madeira, de preferência), caixa de isopor e um retalho de carpete de mais ou menos 2 x 1.5m são bem vindos, assim como peças, catálogos e manuais da Kombi.
  • O Wenceslau continua igual, sem grandes atualizações até o momento, salvo o conserto do rasgo no banco do motorista, e do alinhamento e balanceamento. Felizmente ele continua andando feliz e faceiro, depois da troca da embreagem e limpeza do carburador, feitas há algum tempo. Futuramente, após o término da funilaria da Manuela, será a vez da funilaria e pintura dele e, como ele é forte candidato ao PPP 2, o Verde Folha que o colore atualmente será substituído pelo original Verde Guarujá. Abaixo, fotos dele com a cor atual, e de um outro Fusca pintado de Verde Guarujá.
  • o Valdyr (sim, com V e Y porque é coisa da época) continua na odisseia da instalação elétrica. Como disse um amigo, nem o Palácio de Buckingham demorou tanto tempo para receber uma instalação elétrica como as adaptações feitas neste Puma GTB. Mas enfim, depois de uma prensa no eletricista, a data prometida para conclusão é 30 de agosto (quero ver!). As rodas Cragar não serviram, o que para mim é uma tremenda incógnita. A ser conferido hoje, com calma. Fotos serão publicadas em breve.
  • Don, o querido Malibu, continua paradinho da silva. Com os pneus novos (foto ao lado, tirada há alguns meses), descobri que as rodas dianteiras raspam nas caixas de rodas ao se esterçar completamente - isso vai ficar desse jeito mesmo, talvez depois do alinhamento isso melhore. Após o carburador ter trincado na entrada de combustível, e o motor não chegar no ponto nem por reza brava, encomendei e chegaram um distribuidor novo, tampa do carburador nova, e um jogo de cabos de vela, além das velas. Agora é guinchá-lo para a oficina que fará não só isso mas também resolver os barulhos da suspensão, que estão meio fortes demais. A saga prossegue.
No mais, está tudo bem. Klaus e Pereira seguem felizes com seus proprietários até onde eu tenha notícia. Nenhum carro foi adicionado até o momento e não há planos para que isso aconteça num futuro breve - afinal, já tem "diversão" suficiente para bastante tempo e dinheiro, e mais um membro para partilhar da já bastante limitada verba da FLP (Fundação Luciano Pinho) torna as coisas mais complicadas. Se bem que a importação de um Austin Mini e/ou de um Trabant 601 seria bem bacana...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Rodando e dançando

Essa segunda-feira acabou-se o que era doce e voltei ao batente - o que é muito bom pois é sinal de ter trabalho! O fechamento das férias é que poderiam ser melhores, afinal peguei uma gripe bem chatinha, com direito a febre, catarrose e dores no corpo, mas são coisas da vida (aliás, essa gripe não passou até agora - acabei faltando um dia e saindo mais cedo porcausa dela, e ficando de molho aqui em casa), o que se encaixa perfeitamente na parte "dançando"no título deste post.

Mas muito bem - na sexta-feira, último dia das férias, fui buscar a Manuela na oficina do Henrique. O serviço ficou muito bom, agora além de câmbio novo ela tem alternador, ignição eletrônica, freios revisados e um pivô inferior direito novo. O que doeu foi a conta, que foi alta o suficiente para me dar um certo calafrio só de lembrar, e por isso vou me utilizar do direito de não publicar o valor da "façanha". Mas tá legal, agora a Manuela saía de lá com as novas rodas cromadas e pneus (praticamente) novos, cheia de peças que estavam lá na oficina só ocupando espaço, e a caminho de completar mais uma das coisas programadas para as férias - o orçamento de funilaria! No camimho, mesmo empolgado, percebi que ela ia gostoso... mas rebolava pacas. Para deixá-la em linha reta era necessário virar o volante de um lado para outro até que ela ficasse numa direção só. Depois de descarregada daqueles 200 Kg de peças, essa característica se manteve, e lá fui eu "rodando e dançando" até o funileiro. Durante o orçamento percebi que a cambagem dela está muito fora do normal (o que foi confirmado pelo desgaste dos pneus originais que sairam dela), e se Kombi não é sinônimo de estabilidade, com a cambagem fora é emoção na certa. Só que por mais que tenha tentado agilizar o processo de orçamento de funilaria, e de listagem das peças necessárias, não houve tempo suficiente para encontrar uma loja de alinhamento e balanceamento que fizesse o serviço. Merece um capítulo a parte o nariz torcido das pessoas quando eu parei com a Kombi para ver se dava para fazer o serviço e a rapidez para encontrar algum empecilho que não permitisse - seja falta de ferramenta ou muita fila de carros... enfim, lá vou eu levá-la para o Sr Martinho de São Caetano do Sul, que faz mágica com equipamentos manuais e uma boa dose de paciência. Depois disso, é dar um "tapa" na eletricidade dela e instalar o toca-fitas TKR (o famoso "cara preta"), para que haja uma trilha sonora para os passeios.
Enquanto isso, vamos juntando dinheiro para a funilaria da Manuela, funilaria e pintura do Wenceslau, e posteriormente a pintura da Manuela. Como vocês podem perceber, serão épocas de bastante economia e aperto de cintos. De qualquer forma, a FLP (Fundação Luciano Pinho de apoio ao engenheiro carente e resgate de carros antigos) aceita doações, seja em peças ou mesmo em dinheiro, a serem retribuídas com um largo sorriso deste que vos escreve e um passeio de carro antigo mediante a pedido do gentil doador. Agradeço também por torcidas e oraçoes para curar esta marvada gripe, pois ficar em casa assistindo a programas como "Casos de família"não dá!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Vivendo e aprendendo a jogar...

Ficar muito tempo sem escrever neste blog me deixa triste. Mesmo sabendo que não há grande frequência nem que isso faça mudar a vida das pessoas, acho bacana dividir com alguém alguns acontecimentos e pensamentos - independentemente se vou obter resposta, solidariedade ou promover um debate. Neste momento, conto sobre uma porção de coisas que aconteceram desde meu último post - algumas tristes, outras felizes, e algumas que são uma combinação de ambas.

Como faz tempo desde meu último post (pouco mais de dois meses se passaram), tantas coisas se passaram que acaba sendo mais fácil listá-las (aproveitando, cliquem nas fotos para visualizá-las melhor):
  • O Plínio, meu querido amigo felino, cumpriu tudo o que tinha que cumprir aqui no plano material e decidiu mudar de andar. Deixa conosco muita saudade e uma enorme gratidão minha e da Dri pelos seis anos e meio de convivência e afeto conosco.
  • O Pereira, famigerado Opala coupé 76, está em novo endereço, com o amigo Rodrigo Oliveira. Tipo de coisa em que todos estão felizes - ele por ter um carro para levá-lo ao trabalho e voltar com segurança e estilo, o Nick (filho do Rodrigo) por andar num carro tão bacana, eu por ter vendido o carro para alguém que dá a atenção que ele merece, e o próprio Pereira, que agora consegue proporcionar todo o seu conforto e estilo de forma plena para alguém que assim aprecia.
  • Tranquei o curso de Direito este ano. As coisas no trabalho andam para lá de caóticas, num clima sem ímpar (ao menos para mim e um montão de gente que conheço lá), e como consequência eu não estava dando a atenção devida à faculdade. Então tranquei este ano (foi dolorido pacas, confesso!), mas em Janeiro de 2012 eu volto!
  • A Magdalena veio para preencher a vaga deixada pelo Plínio e fazer companhia para a Antônia. O que o Plínio tinha de lorde ela tem de ralé... sobe na mesa, mete o focinho na comida, pula em tudo sem cerimônia... e nós achamos tudo isso um barato, com toda a energia e alegria que essa gatinha tem, e como ela se diverte com a vida.
  • Fui a trabalho a Montreal, e relembrei o quão bacana é essa cidade no verão, e que canadense definitivamente é muito mais bacana que americano (até que me provem "com evidências" o contrário). Um dos poucos lugares desenvolvidos em que você é bem recebido e ponto.
  • Meu grande amigo Walter se casou, e agora Aline e ele vivem felizes e se completam. Para testemunhar a esta linda cerimônia, a Dri e eu fomos ao Rio de Janeiro e nos divertimos... a despeito de uma gripe que ela pegou. Foi muito legal!
  • Finalmente tirei férias, que aliás já estão acabando, mas foram boas. Bem terapêuticas, reflexivas e que espero tenham me ajudado a melhorar minha relação comigo mesmo. Entre as coisas que fiz, fui a Monte Verde (MG) e descobri que a) lareira mal feita não serve para nada (nunca passei tanto frio para dormir, fez -05ºC de madrugada E DENTRO DO CHALÉ!!) e que b) o termômetro do carro tem um símbolo de neve. Como descobri? Passando por temperaturas abaixo de 03ºC...
  • Comecei a praticar Yôga. Pois é, ainda pareço uma Kombi correndo a 160 Km/h numa estrada de terra, mas já é um começo. É a primeira vez que uma atividade física não me deixa bodeado e com vontade de parar sem ter mesmo começado.
  • Minha madrinha, tia Diomar, também se foi deste plano físico. Cara, como é ruim ver todos os seus parentes (os quais você ia visitar com seus pais aos finais de semana, na infância) de repente irem embora de uns anos para cá. É fato que ela já estava doente e sem a companhia do meu tio e padriho (Delfim) a vida dela perdera o pouco de graça que ainda a mantinha, e rezo para que ela esteja num bom caminho de evolução espiritual. Mas que é estranho para nós, terráqueos que ficamos, isso é mesmo.
Mas vamos falar um pouco mais de carros. Sabem quem eu encontrei? O Dodge Dart amigo-da-onça. E sabem o que é mais legal? Além de saber que ele está com um cara que adora o carro e não o vende por nada neste mundo, descobriu-se que o cheiro de gasolina dentro do carro acontecia porcausa da altura do escapamento. Pois é, um problema tão mala foi resolvido baixando-se em 5 cm a altura dos canos de escapamento, ficando consideravelmente menos encostados no parachoque e assoalho do carro (e com isso permitindo que todo o ar que passa pelo carro em movimento empurre todos os gases para trás, evitando o refluxo dos gases para o interior do carro). Fiquei muito feliz, de verdade, e tenho certeza que o Dodge e eu estamos muito bem como estamos, num "divórcio amigável".

O Toninho e o Wenceslau passaram por manutenção de itens que precisam ser feitos de vez em quando, como troca de óleo, alinhamento e balanceamento. Dá gosto de fazer essas coisas, ver que não houve nada de muito grande a ser feito e perceber que o carro fica sensivelmente melhor de dirigir do que antes - tanto um quanto o outro ficaram muito bons, principalmente quanto a maciez ao rodar após o balanceamento.

Já o Malibu e o Puma... merecem o prêmio "História Sem Fim" de projeto longo. O Puma continua na velha saga da montagem elétrica, com um eletricista que já passou longe do adjetivo "enrolão" e já está bem próximo do "picareta" - afinal, 18 meses para fazer um chicote completo, colocar máquinas novas de vidros elétricos e travas elétricas, e instalar novos instrumentos no painel REALMENTE é demais, por mais delicado e personalizado que seja o serviço. Já o Malibu... bom, chegou o carburador novo, o Henrique o revisou, eu instalei e... a tampa dele rachou, dando um pequeno banho de gasolina no cofre do motor. Enfim, meu amigo Rodrigo (o mesmo que comprou o Opala) foi lá para inicialmente regular o carburador, mas acabamos trocando o carburador do Malibu pelo do Puma, e não houve jeito de acertar o carro, ainda mais com falhas intermitentes do distribuidor que faziam o carro sair de ponto e falhar. Agora, lá está ele com pneus novos, bonitão mas sem carburador nem distribuidor, esperando a chegada de peças. Ô saco!!

Por fim, a Kombi... Manuela ganhou rodas novas (Mangels cromadas, aro 15"), que a deixaram com um ar bem mais jovial do que as rodas originais. Também recebeu câmbio novo, ignição eletrônica e um alternador, para que assim seja possível carregar pessoas e coisas por distâncias maiores sem ter problemas futuros. Só que ao erguer a Manuela na plataforma... surpresa.
Corrosão nas travessas e assoalho, e das bravas.

Ela já está mesmo precisando de uma funilaria, mas acho que isso vai acabar passando na frente de outros planos, como a funilaria e pintura do Wenceslau na sua cor original (Verde Guarujá) no lugar da cor atual (Verde Folha) e a criação de Homero, o Opaloito. Calma, ainda não tem carro novo na família, e essa história fica para outro post...

Enfim, por hora é isso. "Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar", assim se seguiu a vida, com um tanto de emoção, confesso. São tantas coisas que aconteceram e outras que ainda estão por acontecer que prefiro correr o risco de terminar esta postagem sem uma conclusão formal (e deixar o gostinho para a próxima publicação) do que prolongar mais parágrafos para concluir algo e cansar a todos. Portanto, aguardem... e escrevam, opinem! Aguardo seu(s) comentário(s)!

domingo, 24 de abril de 2011

Amigo da onça parte 5 (última)

Oi pessoal,

Este post vai com atraso pois, ao fazer "upload" de fotos o meu computador travava e não dava para fazer mais nada. Com ele mais dócil hoje, nesta linda manhã de sol, relembro sobre a fria tarde/noite de Páscoa, após um almoço de família, em que comecei a relembrar várias coisas, e entre elas, bons momentos que tive com o Dodge. Na verdade, há algum tempoo venho lembrando destes momentos pois, desde que comecei a escrever sobre este famigerado veículo, muitas experiências foram relembradas, tanto ruins quanto boas, e que foram em boa parte transcritas aqui neste blog.

Se alguns perguntam por que fiquei tanto tempo com aquele carro se ele deu tantas dores de cabeça, podem ter certeza que foi por dois motivos - o primeiro é que ele me proporcionava prazer e contentamento enquanto o dirigia e mexia nele; o segundo, é porque sempre tive fé que ele ficaria melhor do que estava antes (o que de fato aconteceu) até ficar perfeito (o que realmente ficou longe de acontecer...).

Um dos melhores momentos que tive com ele foi uma vez em que fui para Mogi da Cruzes com ele numa sexta-feira à noite (vejam o post "Amigo da Onça parte 3") , só pela graça de dirigí-lo na configuração mais legal que eu poderia ter - câmbio de 4 marchas, carburador quadrijet, diferencial Dana, barra estabilizadora traseira, e comando de válvulas só um pouquinho mais alto. Apesar do cheiro, foi muito gostoso dirigir, numa sexta à noite, com a seleção de músicas que eu gosto, por alguns quilômetros, estando praticamente só eu e o carro na estrada. O Dodge parecia estar feliz passeando na estrada, numa média de 110 Km/h, reinando na rodovia Índio Tibiriçá, e cantando ao longo da estrada com o ronco produzido pelo seu motor V8. Parecíamos uma coisa só, agíamos em harmonia e nos entendemos de forma exemplar, como nunca antes. A temperatura de água não subiu, a luz do óleo ficou quietinha, farois, piscas, luzes, enfim, tudo funcionou como manda o figurino; depois de chegarmos a Mogi da Cruzes, paramos num posto de gasolina para comer um pão de queijo e tomar uma cerveja long neck (naqueles tempos em que havia tolerância para beber e dirigir), aproveitamos para colocar um pouco de gasolina e conferir que o nível de água do radiador continuou intacto, e seguimos de volta para São Bernardo do Campo, numa curta jornada igualmente prazerosa. Foram pouco mais de 150 Km muito felizes, e ao final desta estripulia, guardei-o na garagem e nos olhamos como se fôssemos cúmplices, grandes amigos que foram fazer uma boa farra juntos.

Outra vez memorável para mim foi quando o peguei na oficina (?) do Alaor após passar por uma boa revisão mecânica incluindo a troca de buchas de suspensão. O Dodge, mesmo com bancos ruins, muita bolhas de ferrugem aparentes e o famigerado "perfume" já descrito anteriormente, estava macio de andar, ágil e firme como nunca estivera comigo. Eu parecia um cachorro em churrasco tamanha a minha felicidade em dirigí-lo e notar que ele respondia, sem parecer uma carroça ou uma barca molenga, o motor respondia com a agilidade que lhe era permitida, e o câmbio de 3 marchas respondia às trocas de marcha na mesma medida em que se tomava cuidado ao se passar de primeira para segunda sem encavalar (defeito comum entre Dodge, Opala e Aero Willys). Contornamos a estradinha do Riacho Grande até a Via Anchieta de forma ágil e constante, e trafegamos pela rodovia como reis da estrada - mesmo que não fôssemos de facto, a sensação era fenomenal pois finalmente realizava meu sonho de adolescente de ter um Dodge Dart só para mim, mesmo que não estivesse ainda do jeito que eu queria. O curto trajeto serviu para comprovar que, a despeito de todos os problemas que ele pudesse apresentar, aquilo era o que eu queria ou seja, ter um carro antigo.

Ainda me lembrei das diversas vezes que parava com ele em algum lugar e me faziam algum elogio pelo carro, perguntavam o ano, consumo etc, e saia sempre com uma pontinha de orgulho por ter tido a coragem de ter um Dodge Dart numa época de carros cada vez mais modernos, fáceis de dirigir, econômicos e de certa forma, sem graça.

Decidi ir vê-lo de novo, mais para ver como ele está depois de tantos anos. Aproveitei o feriadão de sol e lá fui eu ao Riacho Grande, com a câmera preparada, para ver se iria rever este tão irreverente veículo; estava povoado com pensamentos do tipo "será que o atual dono voltou o câmbio de 3 marchas?" "como estão as trocas de óleo?" "ele parou de esquentar? E de feder?". A ansiedade foi aumentando, pois da última vez que o vira (e isso já fazia uns bons 4 anos), ele estava com a lateral traseira levemente amassada, mas bem no geral. Não sabia como iria reagir, pois era como rever uma ex-namorada, um amigo de longa data ou um parente próximo que teve que se mudar e voltara para a cidade por alguns dias, e finalmente teríamos a oportunidade de nos vermos, nem que por alguns breves instantes.


Chego à casa do Carlão, e os portões estavam fechados. Bato palmas, olho pelas frestas do portão, e ninguém aparece. Espero mais um pouco, vou à marina em frente (onde fica o Maia, pintor de barcos e carros e que já fez alguns serviços para mim), e nada de nenhum dos dois; até pensei em esperar por ele ou ligar para o Alaor e pedir o telefone dele, mas pensei duas vezes e fui embora para casa. Reencontrá-lo poderia ser como um reencontro entre ex-namorados ou ex-esposos, em que inicialmente poderiam vir só boas lembranças mas no final das contas, ambos sabem que foi bom enquanto durou mas o negócio é seguir em frente em rumos separados pois, de fato, é melhor assim. Ele está bem com o novo dono, que até onde sei cuida do Dodge como se fosse um filho, e eu estou bem com o Opala e o Fusca, além dos outros carros, e mesmo tendo ido lá sem a mínima intenção de comprá-lo de volta, só o fato de ir vê-lo é como dar atenção a quem não precisa enquanto há outros que precisam e querem atenção (como a Kombi "Manuela" que precisa de um câmbio novo entre outros). Prefiro ficar com as memórias boas (como nas fotos abaixo, em que ele posa todo bonito numa tarde ensolarada de domingo na Praça Bruxelas, em Rudge Ramos SBC, ou com a Dri em companha das hoje finadas cachorras Minhoca e Penélope) e ruins (mas hoje divertidas) dos anos em que passei com o Dodge e assim, seguir em frente.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amigo da Onça - parte 4

Considerando que fiquei um certo tempo sem escrever, decidi brindá-los com mais uma parte das histórias sobre o querido Amigo da Onça, que de tão conhecido não precisa nem ser descrito mais como um Dodge Dart 4 portas ano 75. Se no post anterior eu falei sobre problemas elétricos, então neste eu falo sobre o maior amigo (ou inimigo) da eletricidade - a água.

Antes, devo fazer uma nota de esclarecimento: entra água em todo o carro antigo. Pode ser um Rolls-Royce, Ferrari, Fusca, Opala ou carro anfíbio, não tem jeito. É só dar uma chuva mais forte que o normal que você vai ganhar alguns pingos d'água nos pés ou no braço, vindo de borrachas ressecadas em geral, ou daquela ferrugem que ninguém vê (nem o funileiro, muito menos você), ou então pela falta daquela bendita peça que o pintor esqueceu de montar de volta. Aliás, quanto te dizem "não saio na chuva com esse carro" não é só um sinal de zelo pelo veículo antigo, mas também falta de vontade de ter que passar pano no carro ao chegar no destino. Enfim, se no seu carro antigo não entra água, parabéns. Ou então, aguarde o próximo temporal.

Já o Dodge era outra história. Entrava água como se o carro estivesse sem uma porta, ou como se um teto solar (que ele não tinha) estivesse eternamente aberto, e com isso qualquer garoinha besta era motivo para o habitáculo ficar ensopado - o que me faz pensar que esta foto aí do lado, de um Charger fazendo teste de infiltração na fábrica da Chrysler na década de 70, foi tirada só para dizer que este teste foi feito uma vez na vida e que, num sábio programa de redução de custos e economia de água, foi devidamente escorraçado do programa de testes da Chrysler, já que onde estava a fábrica alagava à toa mesmo, então seria fácil de saber o quanto entrava de água (aliás, conta-se que em algumas dessas enchentes vários carros prontos que estavam no pátio ficavam submersos na mistura água+barro+mato da enchente... e que a Chrysler dava uma bela lavada e vendia os carros assim mesmo, sem nem desmontá-los direito para uma limpeza minuciosa e troca de todos os fluidos. Por que será que tantos Dodges morreram de ferrugem?).

Mas voltando ao Dodge branco, era tanta água que entrava que me deu vontade (de verdade) de recolher a água para fazer alguma coisa de útil, como colocar no radiador, regar plantas ou passar um paninho no carro. A primeira vez que me deparei com esta memorável característica foi uma vez em que fomos Adriana, Walter, Dodge e este que vos escreve, para o meu amigo Chuva (sem trocadilhos, este é o apelido dele) e depois de algumas voltas por lá decidimos parar no posto para abastecer, algo muito comum num Dodge. Como o posto era um daqueles "abasteça 20 litros e ganhe uma lavagem automática" (daquelas com escova), não perdi uma oportunidade de um banho de graça na viatura, principalmente em vista que o salário de assistente técnico era quase todo consumido com gasolina, mecânicos e peças. Nós dentro do carro, fomos lá para a máquina de lavar com suas poderosas escovas rotativas e jatos de espuma. Foi só começar a bater água no carro que esta encontrou refúgio dentro do carro. A Adriana começa a gritar e rir, o Chuva a gargalhar, o Walter a fazer cara de bunda e eu tentando manter a pose, como se fosse o dono de um Aston Martin que está surpreso com isso... esguichava água pelas borrachas dos quebra-ventos, vãos das portas, por debaixo do painel, parabrisas, enfim, saimos de lá realmente molhados, mas dando risada - afinal era Domingo à noite, e de lá iríamos para as nossas casas, mudaríamos de roupa (certamente após um bom banho, pois dormir com cheiro de gasolina não rola) e iríamos todos dormir no aconchego de seus respectivos leitos.

Agora, quando usava o carro para trabalhar ou saía com ele e ficava molhado, aí não tinha graça. Eu charregava uma toalha de banho no carro (e depois duas) para enxugar o carpete e os bancos quando ia chover, e tinha uma porcaria de uma goteira em dois cantos das borrachas dos parabrisas que estrategicamente pingavam na minha coxa esquerda e na coxa esquerda de quem estivesse como passageiro (aliás, a foto ao lado ilustra sutilmente como era a sensação de estar no Dodge durante aquelas chuvas típicas dos meses de fevereiro e março). Tentei de tudo para tirar o vazamento - massa de calafetar (ótimo para manchar pintura, mas inócua para o vazamento), silicone, cola, tudo o que se possa imaginar, mas nada funcionou. Troquei borrachas de porta pelo menos umas 2 vezes, e a borracha do porta-malas também pelo menos uma vez (essa até que resolveu, no que lhe era possível), mas o carro continuava um aquário. E o mais legal é que havia um par de borrachas que vedam os eixos dos limpadores de parabrisas, mas como elas ressecaram e desmancharam, a água praticamente vertia por ali para dentro do carro, parecendo uma daquelas cachoeiras chamadas de "véu da noiva"... e quem disse que se achava dessas borrachas para vender? Até aquela época, NADA!!! Então ficava por isso mesmo - pés molhados, cheiro eterno de gasolina queimada + carpete úmido, e assim o Dodge prosseguia. E como era brochante chegar no estacionamento depois de um dia de stress e encheções de saco em geral, e ver que os vidros do carro estavam embaçados porcausa da chuva de verão que molhou o carro (por dentro e por fora) e depois secou por fora, mas umedeceu o carpete por dentro, o que era comprovado ao tirar a(s) toalha(s) posicionada(s) estrategicamente no carro caso chovesse, e torcê-las do lado de fora como se tivessem sido mergulhadas num balde d'água. Era impagável a cara dos meus colegas de trabalho me olhando fazer isso no estacionamento enquanto eles saiam sequinhos e ligeiros com os carros sem graça deles.

É, isso era chato sim, mas rendeu histórias, como esta que compartilho com vocês.
(Momento Jabá: o meu amigo Chuva está vendendo uma perua Astra 95 branca, praticamente único dono, por um preço camarada. Se você estiver afim de um caror que futuramente - daqui há 14 anos - poderá receber placa preta, e é confiável, escreva para mim que eu repasso para ele. Senão, jamais saberás como é a emoção de ter um carro branco...rs)

domingo, 17 de abril de 2011

Amigo da Onça - Parte 3

Oi gente,

Novamente fui severamente cobrado pelos (3) leitores deste blog sobre a continuação das histórias do "Amigo da Onça", então sem mais explicações ou inócuos pedidos de desculpas, escrevo desta vez sobre uma das coisas mais memoráveis deste Dodge Dart branco - a parte elétrica.

O sistema elétrico do Dodge parece ter sido projetado seguindo a mesma filosofia do time de futebol da Portuguesa de Desportos - onde basta você contar com ele(a) e com quase 100% de certeza você vai ficar na mão. Ele não era daqueles carros em que se dava seta e acabava-se acendendo os farois, mas que demonstrou, entre outras coisas, ser um consumidor voraz de baterias (e não somente de gasolina). De certa forma, este Dodge teve um papel social bastante grande pois foi com ele que garanti o sustento de mecânicos, pude proporcionar a um dos funileiros recursos suficientes para mudar para uma sede própria, o custeio da faculdade de medicina da filha de um pintor, além de ter tirado da insolvência pelo menos uma casa de baterias.

Bastava deixar o carro parado por uma semana que, ao ligar, era a sequência de "nhec nhec nhec nhec". "nhec nhec nhoc nhoc nhóooc". "nhóooc nhóooc nhunk nhúnk nnhhúnk" "téc". "téc". E mais uma bateria de 60A (e R$180 em valor atual) precisaria de recarga, senão troca, o que era algo bastante frequente. Não adiantava colocar gasolina no carburador, pisar no pedal de acelerador, desligar a bateria do carro ou ter uma plantação de arruda no lugar do banco traseiro, esse era o infeliz modus operandi do sistema elétrico deste carro; isso quando ele se manifestava pois muitas vezes nem luzes no painel ele acendia, e parecia ficar com aquela cara de cachorro que sabe que vai ao veterinário ou então que não quer tomar banho. Cheguei a trocar alternadores, reguladores de voltagem, comutadores de ignição, módulo de ignição eletrônica, chicote de motor de arranque, mas nada resolveu.

Mas... repararam que no segundo parágrafo eu não mencionei nada sobre eletricistas? Não foi à toa pois, infelizmente não conheci nenhum até hoje que não fosse preguiçoso com o Dodge, ou então enrolado até onde a imaginação possa levar. A história era sempre a mesma - alguém recomendava um eletricista, dizendo que o cara era fenomenal, "que havia refeito o chicote de um Opala Diplomata zéééééro" de um Boeing 747 e se bobear até de disco voador. Careiro? "nããão, cara bom e de preço bacana". Ao chegar lá, explicava o problema do carro ao cidadão, e falo sem dó: "Amigo, pode arrancar o chicote todo e fazer um novo. Não tem problema de prazo e nem de preço, só quero que o carro fique bom." Ia para casa, e um dia ou dois depois ouvia a ligação: "O carro tá pronto, pode vir." Desconfiado (e outras vezes, já conformado), chegava lá e o carro continuava com o mesmo chicote. Intrigado (e nas demais vezes, já conformado e broxado emocionalmente com a situação), perguntava "Ué, mas e o chicote não foi trocado? E se o problema voltar??" ao que recebia como resposta "O chicote do carro está bom, era só uma fuga de corrente." E logicamente, a conta ficava baratinha... o serviço continuava porconildo... mas por ser barato, nenhum eletricista conseguiu acabar com meu orçamento, ao contrário dos demais profissionais supracitados.

Tal qual a Lusa, se você não prestasse atenção nele, era só virar a chave e pegava de primeira, além de funcionar perfeitamente. Mas era só contar com ele, achar que estava tudo legal (principalmente quando o Dodge era a ÚNICA opção de locomoção, por qualquer motivo), e ele fazia questão de te deixar na mão, principalmente num lugar que não fosse em casa. E, pra variar, com os outros ele funcionava direitinho... dá para entender? Ô carro de fases!