Então chega de milongas, e apresento Cinira, a enceradeira! Ela foi encontrada ao lado de uma árvore na Vila das Mercês, numa tarde de quarta-feira de cinzas, e estava lá, toda empoeirada encarando o destino próximo que era virar moto de catador de sucata ou então recheio de caminhão de lixo. Parei o carro, dei uma olhada nela, não percebi nenhum cheiro de queimado e pensei "vou arriscar" - abri o porta-malas e lá fui eu tentar mudar o destino da pobre enceradeira para algo mais digno. Chego em casa, ligo-a na tomada... e ela funciona bem, apesar de cuspir uma poeira danada. Dois dias depois, com desmontagens, limpeza, ajustes e remontagem, e ela volta à vida, ainda com algumas cicatrizes do uso diário (como o dourado de sua pintura que já não é mais o mesmo que exibia quando saiu da fábrica da Arno, nos anos 70) mas com a confiança para bons serviços e o charme para ser também um objeto decorativo. (Aliás, A Cinira pode ser sua por uma pequeno investimento - escreva para mim e combinamos).


Cinira antes e depois - nada que um pouco de paciência, conhecimento e carinho não transformem... nossa, não havia pensado nesta metáfora até escrevê-la!
Em um próximo post escreverei um pouco mais sobre móveis e utensílios domésticos de antigamente que ganharam uma segunda chance - aguardem!
FIO AMARELO COM PORTA FUSÍVEL: POSITIVO 12V
NEGATIVO TERRA CHASSI DO RÁDIO
Fio Azul e Preto: Saída Canal Esquerdo
Fio Verde e Preto: Saída Canal Direito
E esses dias aproveitei e dei uma boa andada com o Toninho, inclusive para matar a saudade não só dele, mas da minha infância. Esta foto aí ao lado é na casa onde fui morar desde os meus 3 dias de idade até os meus 7 anos e sim, meu pai me levou a bordo do "Seu Alfredo" - Opala Especial 72 que ele tinha, (4 portas, amarelo com teto de vinil, placa NL 0924 - se souber onde está este carro, avise-me!!). A casa amarela já não é mais amarela e nem casa é mais (antes de ser salão de beleza, foi habitação de outras famílias, pensão, ficou fechada e bem maltratada, até que se transformou no que é hoje), os paralelepípedos que calçavam as ruas foram cobertos por asfalto, a minha infância passou faz tempo mas as lembranças continuam, então revivi a uma foto antiga minha onde estavam nesta mesma casa meu pai à esquerda, o Opala 79 marrom na vaga encostada à parede, e eu do outro lado, com toda a maturidade que um pirralho de 5 ou 6 anos pode ter. Foi gostoso ter esta lembrança, e ver que ainda tem um pouco de "testemunhas da história" por aí - aproveitei que estava lá e tirei mais uma foto do Toninho, mas desta vez na frente da casa da dona Montserrat, uma espanhola que mora (ou morava?) na mesma rua nesta casa de azulejos amarelos, tão bem conservada e intocada, que não dá bola para os prédios que se erguem a encarando como uma "velha baixinha" - aliás, como boa espanhola, ela se empina maquiada, impondo respeito para todos que passam por aquele cruzamento onde ela faz seu plantão há anos e anos, pelo menos desde quando eu me lembro como gente. Agora digam: excluindo-se as pichações, esta foto não ficou legal até dizer chega?











































