Compartilhando o significado de ter um carro antigo... ou mais de um!

domingo, 19 de agosto de 2012

Wenceslau - a cirurgia plástica parte final

E Wenceslau voltou da "cirurgia plástica", agora com a cor original verde guarujá (veja nos posts anteriores), parachoque dianteiro novo e muito brilho, além da necessidade de alguns ajustes necessários.

Algumas coisas deram trabalho, como o capô (ou tampa do porta malas), que estava travada e não queria abrir de jeito nenhum, e na regulagem, quebrou o pino de travamento, e também a montagem das manivelas dos vidros, que foram feitas pelo ajudante do funileiro/pintor e acabaram sendo feitas erroneamente. E como o mesmo rapaz também montou as maçanetas, uma delas (a que foi trocada) não teve o miolo de chave substituido e porcausa disso, o carro não tranca a porta. Este é um dos ajustes pós-entrega que eu vou fazer no fim de semana que vem, ou mesmo durante a semana, junto com a regulagem do acionamento da buzina. O botãozinho meia boca que estava lá antes foi substituído pelo sistema original, com molas e borrachas montados no cubo, e como brinde, ganhei um carro cuja buzina é acionada até pelo poder da mente tamanha a sensibilidade que ficou. Como nem eu nem Wenceslau queremos chamar a atenção pelo barulho, este é um item que receberá atenção especial. 

Wenceslau no estacionamento do trabalho, ao cair da tarde, e a primeira foto de Wenceslau "antes", do anúncio na internet que me fez ir vê-lo. Percebem a evolução?

Os cintos de segurança foram montados seguindo a lei da boa vontade sem bom senso - os cintos traseiros eram obviamente mais novos que os dianteiros, mas a fixação deles na coluna do carro é diferente, então o resultado final ficou, digamos, "questionável", e vai exigir um retrabalho. E como era de se esperar, surge uma pequena lista de peças necessárias para a conclusão de toda esta montagem - vão desde borrachas que se acham em qualquer autopeças, quitanda ou farmácia, a até coisas que os "loneiros" (vendedores de peças nos encontros) quando tem, "enfiam a faca", como as capas de cintos de segurança e o estribo do lado do passageiropaa substituir o que está no carro - mas tem que ser um estribo orgininal, pois os do mercado paralelo são encontrados acham aos montes, mas são tão ruins que dá até vergonha de colocar nele...

Outra coisa que vou precisar fazer é pintar o assoalho por dentro - não sei se por esquecimento ou boa intenção, o assoalho não foi pintado da cor do carro, mas de preto, e recoberto por uma camada de óleo. Ótima intenção no que se trata de prevenção a corrosão, mas nada de bom senso pois os tapetes de borracha ficam "dançando" sobre o assoalho besuntado, o que não só tirou a tinta que havia sobre a chapa como também faz os pés escorregarem enquanto se acionam os pedais. Felizmente, este e todos os demais probleminhas são fácesis de resolver, e espero que sejam resolvidos em breve, para que ele possa passar pela vistoria e receber a desejada Placa Preta.

O resultado final ficou muito bom, e o funileiro/pintor fez mais um trabalho bacana. A pintura nova e da cor original deu vida a ele, a nova caixa de ar já veio preparada para receber ar quente (só falta uma peça para que o conjunto fique completo; achar esta peça é que é o desafio), e as borrachas e frisos que foram substituídos tiram qualquer aparência de carro "remendado". Os bancos agora se ajustam para a frente e para trás, e até o problema de trepidação da embreagem parece ter sido corrigido. E com isso, Wenceslau volta para o convívio em sociedade bem melhor do que saiu, e esbanjando alegria e cor nas cidades e estradas, em tempos carentes de romantismo e colorido. Para fechar este post de hoje e ajudá-los a opinar sobre o resultado final, vejam abaixo mais duas fotos - uma do "antes"  do serviço e outra do "depois'. 





terça-feira, 14 de agosto de 2012

Trabant - impressões ao dirigir

Recentemente fiz uma viagem de férias em que realizei alguns sonhos que há muito tempo me rodearam - um deles era o de conhecer Berlim, e o outro que era dirigir um Trabant P60. Berlim é definitivamente a cidade mais legal que já conheci, por ser fascinante e moderna sem ser opressora, e com tanta história de conquistas e derrotas mas sem que isso torne a ela ou aos habitantes pessoas rancorosas. Muito pelo contrário, eles foram muito prestativos e bem humorados, principalmente ao se considerar a fama da rispidez alemã, apesar dos temas "Alemanha Oriental" e "Muro de Berlim" ainda serem um certo tabu para os habitantes comuns de lá  (crianças que leem a este blog: se não sabem nada sobre Alemanha Ocidental nem Oriental, Guerra Fria e COMECON, façam uma gentileza para vocês mesmos - LEIAM A RESPEITO! O mundo não se resume a iPad e Facebook.).

E o que dizer do Trabant P60? Este ícone da Alemanha Oriental e dos tempos em que existiam dois mundos, guerra fria e "cortina de ferro", ao contrário de trazer imagens de competição e medo, vem com uma aura de simpatia e ternura no formato de sedã 2 portas, de cor azul celeste e motor de dois cilindros e dois tempos. Num mundo onde os veícuos tem tanta tecnologia de segurança e conforto que tornam dirigir uma atividade enfadonha, ver um Trabi ali, bem pertinho, traz imediatamente um sorriso ao rosto e um deseho que o mundo fosse, pelo menos em alguns aspectos, um pouco mais simples. E ao vê-lo vem a primeira surpresa: ele é menor ao vivo. Certamente menor que um Fiat 147, ele tem espaço interno suficiente para duas pessoas e duas crianças de até 10 anos. Mais que isso, brinque de sardinha em lata, pois ele é bem apertadinho MESMO, agravado pelas caixas de rodas dianteira e traseira invadirem a área da cabine e achatando as pernas do motorista e passageiros para os lados. É impressionante mas... ele conseguiu ser menor que um Gordini! Mesmo assim, fizemos a experiência de dirigí-lo por Berlim Oriental em 5 pessoas, para certa surpresa do dono (?) da agência (?) de aluguel de Trabant.
 
E alguém ainda tinha dúvida que isso ia dar certo?

Antes de enviar todo o mundo dentro do valente Trabant, abro a torneira de combustível, dou partida e dou duas voltas no estacionamento para avaliar o comportamento do carro e pegar os "macetes" de como frear sem ter freios a disco ventilados, trocar as 4 marchas na confusa alavanca na coluna de direção "fora de padrão" e acostumar com o peso da direção, que é relativamente pesada para um carro tão leve. O pequeno motor bicilíndrico de 2 tempos e refrigerado a ar se assemelha muito a motores de motocicletas (grandes) antigas, com seus 850 cm3 e 26 cv. Mesmo parecendo pouco, o motorzinho dá conta do recado, graças à simplicidade do carro, que não conta nem com bomba de combustível (a mistura de gasolina com óleo 2 tempos desce do tanque para o carburador por gravidade, como nas motocicletas), uma reguinha no lugar do marcador de combustível no painel, e pneus tão finos que parecem ter vindo de alguma carriola de pipoca.

 Com todos a bordo, lá fomos nós ao passeio. Mesmo com tantos por lá, ele chama a atenção por onde passa, ainda mais com cinco pessoas dentro dele, sendo uma delas no colo de outras duas. Até as barbeiragens intoleráveis para os motoristas de veículos modernos são perdoadas quando quem as cometeu (no caso, eu) estava ao volante do Trabant. Velocidade não era o problema para ele, mas chegar à imobilidade sim era um desafio - os freios a tambor dele se aqueceram com relativa rapidez e perderam eficiência antes do previsto, o que impediu maiores audácias. Num trecho urbano não foi possível avaliar a estabilidade dele, mas não pareceu nada de outro mundo, e a suspensão dele absorveu bem os poucos obstáculos a que foi submetida. A troca de marchas era confusa porcausa dos movimentos pouco usuais para ele, em relação a outros carros com alavancas de marcha na coluna de direção - normalmente, "puxa-se" a alavanca para engatar as menores marchas e vai-se "empurrando" e engatando para as marchas maiores, mas no Trabi isso é ao contrário e então até lembrar que a terceira marcha era engatada puxando-se a alavanca para frente, já havia passado o ponto de trocar de marcha. Difícil mesmo foi suportar o calor dentro dele, já que as janelas traseiras não basculam e a capa de pelúcia dos bancos não refrescaram o dia de muito sol que fazia lá em Berlim.

Dá para ter noção do aperto que estava dentro dele?

Tudo ia (quase) bem até o carburador entupir e o carro decidir afogar. Daí a diversão virou um saco, com o pobre Trabi morrendo a cada parada no semáforo e não tendo força direito para sair do lugar. Culpa do carro? Não, sem dúvida ele é um valente. Do motorista? Pouco provável. Do combustível sujo e do óleo 2T utilizado? Tem todo o jeito que sim. Ao devolver o carro, o rapaz explicou para o meu amigo que compartilhou comigo e as outras pessoas deste passeio, que este problema não era entupimento, "mas sim bomba de combustível falhando, afinal ele era um carro preparado para o inverno e não para dias tão quentes". Balela. Se o Trabi não tem bomba de combustível, como é que ela ia dar problema??? Fim do percurso, todo o mundo desce com um sorriso no rosto. Eu, por ter dirigindo um Trabi nesta cidade tão icônica. Os demais, por conseguir sair do carro para se alongar e esticar as pernas. 

Resumo da ópera. O Trabant é tosco? Sim, ele é tosquinho, tadinho, mas tem uma alma muito boa e estilo único. Merece a alcunha de "Pior carro do mundo", que foi dada logo após a queda do Muro de Berlim? Não, tem carro muito pior que ele, como os veículos franceses contemporâneos em projeto. Eu teria um? Sim, teria e o utilizaria quase que diariamente pois ele é pequeno, ágil, econômico e, se quebrar algo, é muito fácil de arrumar. O negócio complica ao se pensar que há itens de conforto hoje que fazem diferença e que ele não possui - como desembaçador traseiro e ventilação interna forçada (direção hidráulica e ar condicionado só se for em sonho). Dá vontade de trazer um para cá e chamar de meu, mas para isso tem que achar um bom, bonito e barato lá na Alemanha, e isso obriga a recorrer à boa vontade alheia, o que pode nem sempre é possível ou eficaz... e também há outros projetos na frente como terminar a Manuela, o Wenceslau e o Don, vender o Puma GTB (Quer comprar ou sabe quem queira? Os fundos obtidos "possivelmente" serão revertidos no projeto Trabi Brasil 2013), começar a restauração do Irineu e, ainda por cima, pensar com carinho na ideia de montar uma Chevrolet C-10 com motor V8 350 ... como são muitas "crianças" para dar atenção, para tempo e dinheiro limitados, algumas prioridades devem ser definidas antes de qualquer decisão a respeito, mas quem sabe... sugestões são sempre bem vindas.

Quer saber mais sobre o Trabant P60? Clique Aqui, em Inglês ou vá à página abaixo, no Wikipedia em português: http://pt.wikipedia.org/wiki/Trabant

Gostou do texto? Portanto divulgue, opine e comente! E se não gostou, também opine e comente! Todos os comentários serão lidos e respondidos apropriadamente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Wenceslau - a cirurgia estética parte II

Para "tirar a ferrugem" depois de mais de um mês sem atualizar este blog, hoje eu escrevo uma novidade - Wenceslau está de cor nova! Mas antes de ganhar uma cor nova, muita coisa aconteceu, como o mostrado na foto abaixo:

Para trocar os assoalhos, é necessário tirar a carroceria do chassi, e com o Wenceslau não seria diferente - e isso foi legal para ver que o carro em geral está bem íntegro, e também descobrir algum ponto que precisasse ser reparado. Nas fotos abaixo, a caixa de ar do lado direito está ponteada no lugar, e também mostra o "cabeçote" do carro original, coisa difícil de se ver em Fuscas.



Mas depois destas fotos o tempo passou, eu fui viajar e... o Wenceslau já está quase todo montado e devidamente polido! E ainda de quebra, o tapeceiro já fez e instalou o forro de teto novo, e agora ele parece como se estivesse na linha de produção da VW, há 41 anos. Falta pouco agora para que ele fique pronto - montagem elétrica (ai ai ai... a saga do eletricista!), algumas borrachas, encontrar o estribo novo do lado direito (original, pois os paralelos são tão sem vergonhas que nem catador de sucata quer), trocar o parachoque dianteiro e setas por originais, montar o forro do portamalas (Porta malas? Porta-malas? Ô revisão ortográfica que bagunça nossa mente...), montar os vidros e bancos, e pronto!  Estará para a vistoria para a Placa Preta!



E aí, o que acharam da cor nova? Por favor, opinem!

(E aguardem o próximo post: "Trabant 601 - Impressões ao dirigir". Se você viu a queda do Muro de Berlim, vai lembrar deste carro - e se não conhece, leia sobre ele neste link aqui).

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Umas fotos e comentários para animar

Hoje é dia 13 de Junho - dia de Santo Antônio, em que muitos tentam recuperar o sono perdido numa fila de restaurante ou motel na celebração de mais uma data comercial (se você que é encalhado ou alienado não lembra, 12 de junho é Dia dos Namorados), e outros tantos fazem todo o tipo de simpatia para conseguir encontrar um(a) namorado(a). Como todo o típico dia 13 faz frio por aqui, mas ainda longe daquele frio horripilante dos meses de Julho, Agosto, Janeiro e Fevereiro (viva o Aquecimento Global e a miscigenação das estações do ano), a tarde virou noite e a sensação é que as coisas ficam um pouco menos felizes, consequencia da falta de luz e da garoa que insiste em visitar nossas terras. Mas, para comemorar meus 37 anos e 5 dias de vida extrauterina e animar um pouco a noite, coloco estas fotos e comentários, e assim animar a noite!

Irineu num dos seus primeiros dias de volta a São Bernardo do Campo, depois de quase 48 anos longe daqui (saiu daqui da linha de montagem da então Willys - hoje Ford - e foi morar entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai), com o Wenceslau sorrindo de lado ao fundo, do lado de um Mustang 67 e de um Maverick.

 Don num de seus momentos de lenta montagem de acabamentos e ajustes em geral, com o Puma guardado na toca.
 Aqui Don está num estacionamento, admirando a bela árvore da rua numa noite de pouquíssimas nuvens.
 Toninho, pronto para levar uma noiva feliz para o tão desejado momento do "sim". Uma justa homenagem ao dia de hoje.
 Pereira (lembram-se dele?) numa cena típica dos anos 70, mas que foi retratada em 2011 mesmo.

Puma, Puma Puma... ainda tiro uma foto decente sua! Esta foi quando a embreagem decidiu pedir aposentadoria. 

Wenceslau, feliz e faceiro num "ton-sûr-ton" com a parede da casa coberta pelas trepadeiras. 

E para finalizar, Manuela na mesma "vaga temporária" para reparos, ajustes e melhorias...

Espero que tenham curtido o "repeteco"!

sábado, 9 de junho de 2012

Manuela, pseudo-filha do vento

Um dia desses eu precisei fazer um exame num sábado de manhã, e como naquele fim de semana o tempo estava muito bonito (sol, quente e sem chuva), Manuela e eu fomos até SP, onde aproveitamos para fazer alguns testes. O principal deles era o do velocímetro, pois o desempenho dela parecia um pouco fora da realidade, mesmo para uma jovem veterana com motor 1600 recentemente revisado - e como rodas e pneus atuais são de um diâmetro inferior ao conjunto original, o GPS passou a ser peça fundamental para descobrir o tamamho do erro. As fotos abaixo, tiradas com a Via Anchieta praticamente vazia, falam por si só:




O erro é de quase 30%! Isso porcausa dos pneus menores mas também do erro original do velocímetro - testei com o velocímetro a 100Km/h e o erro diminuiu para 20%, o que ainda é muito grande mas acaba sendo mais seguro, pois a 100Km/h reais (ou seja, passando da escala do velocímetro) a sensação é que estou dirigindo o DeLorean do Professor Brown ("De Volta para o Futuro"), tamanho o barulho e sensações diferentes que a Manuela "filha do vento" propicia, sentindo tudo de forma mais intensa.

Depois, ver a Av Paulista através do parabrisas da Manuela é bem interessante, pois contrasta a modernidade e opulência da avenida "centro econômico"da América do Sul, com a simplicidade e simpatia desta Kombi 73, com muitas pessoas a admirando de maneira verdadeira. 


E como lanche de laboratório de exames não é propriamente o que há de mais saboroso nesta vida, parei no Pacaembu e comi um pastel de queijo com caldo de cana, parando ela por ali e atraindo para Manuela a curiosidade dos feirantes e guardadores de carros, contaram histórias de quando tinham uma, trabalhavam com quem tinha outra, e ficaram em geral contentes e ver mais uma "corujinha" preservada e circulando feliz pela cidade. Vejam nas fotos abaixo como ela está feliz e faceira...



Carros antigos provocam boas reações e trazem à tona boa energia na forma de olhares, sorrisos e histórias. O tal do "tesão"em ter um (ou mais que um) vai muito além de ser diferente, que não dá para explicar em uma linha ou duas. No próximo post, eu escreverei mais a respeito disso e, se você tiver alguma dúvida sobre entrar para este mundo ou não, dividirei com você minhas experiências sobre o assunto, sem fantasiar um mundo de sonhos, tampouco contar só sobre os problemas. Lembrem-se que nas nossas vidas nos confrontamos com problemas (que são apenas desafios, no fim das contas) e felicidade (que são o prêmio pelo que fizemos e enfrentarmos os tais "desafios"), então... comente e compartilhe este post e aguarde pelo próximo!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Wenceslau - a cirurgia estética parte I

O Wenceslau já estava precisando mesmo corrigir algumas besteiras de funilaria e a pintura mostrou com o tempo que não foi feita com todo o cuidado merecido. Então foi apenas buscar a Manuela e deixá-lo lá para minha comoção, pois foi como ver a um filho (ou sobrinho) entrar no hospital para uma cirurgia relativamente grande apesar de simples.

O Fusquinha da foto abaixo parece mas não é o Wenceslau. Estranhou a cor? Pois esta será a "nova" cor dele ao final da funilaria e pintura - "nova" entre aspas porque quando ele saiu da fábrica localizada no Km 23,5 da Via Anchieta nos idos de 1971, esta era a cor original dele - Verde Guarujá - ao invés da cor Verde Folha que o colore por enquanto. Daí alguém um pouco mais entendido sobre Fuscas pergunta: como que eu sei a cor dele se não dá para saber qual a cor original pelo número do chassi? Pois é, ao começar a desmontagem do carro descobru-se que o pintor que o pintou anteriormente à minha compra pintou o carro todinho... sem tirar nada. Sim, quase tudo que não aparecia aos olhos dos transeuntes e pessoas "normais" em relação a qualquer carro, foi mascarado e não recebeu nem preparação tampouco algumas camadas de tinta. Por um lado isso é de uma porquice de lascar, mas por outro (diretamente da série "males que vem para o bem"), pode-se ver que a cor dele era de fato Verde Guarujá e que não estava tão mal assim - provavelmente alguém que o tinha antes não gostava da cor e decidiu pintar neste verde mais discreto, só que apesar da grande vontade, o dinheiro não era proporcional ao desejo e fez o que deu. 

Parece, mas não é o Wenceslau. Mas ele deve ficar assim ou melhor, ao final da funilaria e pintura.

Já desmontado, aguardando lixamento.
Aqui já devidamente lixado e sem a tampa do portamalas. 

Sem o estofamento e vidros. E olha o podrinho que prosperava embaixo da borracha...
Estas são as peças que sairam dele. Mais trabalho para a Manuela, que irá levar todas as peças para um local seguro. Impressionante como um carro tão pequeno possa ter tantas coisas...

As fotos acima e abaixo são do interior e do portamalas dele, mostrando a cor original que estava (mal) escondida por debaixo dos revestimentos.



E como diz o outro ditado, "quem procura, acha" e descobrimos além do podrinho na janela traseira, também tem os dois assoalhos que estavam enferrujados demais no lado de dentro do carro, não valendo à pena mantê-los. Com isso, a FLP (Fundação Luciano Pinho) acaba intervindo e investindo num par de assoalhos para que Wenceslau fique tinindo. A lista de peças ainda conta com os encaixes de borrachas do portamalas e cofre do motor, e também a procura de um par de estribos novos e frisos das janelas das portas. E, para ficar mais divertido e caro, tem também a caça ao escapamento para Fuscas com ar quente - peças que além de caras, não se acham com grande facilidade. Isso faz parte do desafio - afinal, se ele tem por objetivo a placa preta, tudo tem que ser feito direito para ser feito uma vez só. E aí, pessoal, gostaram da futura nova cor? Comentem e fiquem à vontade!


terça-feira, 22 de maio de 2012

O tempo e o Puma.

Amigos, sei que faz tempo que fiquei afastado deste blog, mas isso nada mais foi que uma homenagem velada ao Puma, que depois de tanto tempo esperando o término do serviço de eletricidade finalmente tomou um encaminhamento. Sim, ele voltou a andar - mal, mas andou - e a elétrica está (quase) pronta, e agora faltam os ajustes mecânicos.

Há um mês fomos buscá-lo no local onde se encontrava em repouso, após o eletricista ter feito boa parte das instalações. Colocar gasolina no carburador daqui, coloca o auxiliar de partida dali, umas três tentativas e ele finalmente liga, depois de quase dois anos. Sai de lá da garagem tossindo, fumaçando e reclamando tal qual uma pessoa de idade que se recusa a sair da cama para ir passear mas que, assim como o hipotético ancião, logo se anima com o passeio e dá sinais de disposição. Mas a alegria durou pouco. 3 kilômetros depois a embreagem abre o bico e patina. O Puma, com toda a sua musculatura oriunda do motor de Chevrolet 6 cilindros 250-S adicionado do carburador quadrijet, não é capaz de vencer a subida do trevo do Km 18 da Via Anchieta, coisa que até o Irineu (Gordini) falhando um cilindro é capaz de fazer. O que fazer? Encostar o carro e esperar que um dos amigos que estavam na trupe do resgate do Puma fosse até à oficina pegar uma boa corda para rebocá-lo até a oficina. 30 minutos depois a corda estava lá e quando fomos rebocá-lo, a embreagem decidiu trabalhar de novo e lá fomos nós percorrer os 6 Km que separam o local onde estávamos da oficina. E o fizemos em tempo recorde - levamos "apenas" 1 hora, graças a outro chilique da embreagem e também ao motor que ficou muito nervoso de ter que trabalhar e ferveu. No fim das contas, esta parte da missão foi cumprida (veja as fotos).
 Puma parado no trevo do Km 18, aguardando o socorro da corda e do carro para rebocá-lo.
 Puma parado na avenida, esperando a embreagem voltar a trabalhar. Nota: os dois ilustres senhores que saíram na foto estavam nesta empreitada de transportar o Puma até a oficina, e este Taurus que acabou por rebocá-lo até à oficina, pertenceu ao meu pai.
 Mais uma do Puma.
 Puma esperando o momento certo para entrar na oficina.

Depois de alguns dias, o eletricista finalmente consegue ir à oficina e termina praticamente tudo, com exceção da instalação do relógio multifuncional (conta-giros, manômetro de óleo e... xi, nem lembro mais o que era o outro instrumento), que não havia chegado ainda. Entre as coisas, está a instalação da caixa evaporadora do ar condicionado, e agora o Puma parece - pelo menos por dentro - um carro bacana. (veja as fotos abaixo)
 Estofamento feito, caixa de ar instalada... agora parece um carro esportivo.
 Painel do Puma - ficou muito melhor do que antes.
 Detalhe da área com a caixa de ar instalada. Apesar de não ser igual à original, ela é bem parecida e distribui melhor a ventilação dentro do carro... além de ser nova, o que tranquiliza muito na hora de ser utilizada nos dias quentes.

Mas uma coisa intrigava... por que raios que sempre se raspa as pernas no volante? E esse espaço entre o painel e a coluna de direção, por que está lá? Olhando por baixo do painel, a resposta: alguém no passado (provavelmente uma pessoa de baixa estatura) soldou dois suportes na travessa de apoio do painel e coluna de direção, posicionando-a para baixo consideravelmente. Fiquei um pouco desapontado mas bem mais feliz - o primeiro pois dói só de pensar em remover a coluna de direção e enfiar a lixadeira por debaixo do painel depois que tudo está montadinho... mas a boa notícia é que este problema tão incômodo tem solução. Vejam na foto abaixo o vão entre a coluna e o painel, indicando que a condição atual está longe do normal...
 A parte mais preocupante de ajustes está na pedaleira - com o túnel tendo sido alargado para a instalação do câmbio monstruosamente grande, o pedal do acelerador ficou apertaaaaaaado até. Tão apertado que ao acioná-lo, é quase inevitável dar um toque no pedal de freio logo de cara, o que é perigoso pacas. Então, lá vai lixadeira de novo, comer os pedais para diminuir o tamanho deles e neste processo soltar uma infinidade de faíscas (haja papelão para proteger todo o estofamento novo!)...



E fora isso tudo acima, tem outras coisas a fazer a curto prazo, como consertar a embreagem (se ela quer patinar, que vá ao Holiday on Ice!), instalar o pino de trava do porta malas, regular o motor, trocar o reservatório de água por um maior e pressurizado, revisar os freios e trocar fluidos, instalar (finalmente) o instrumento multifuncional, ajustar o cajado da porta do motorista para que o vidro pare de travar ao subir... e a lista continua grande. Fora as coisas maiores, como a troca e reforço da longarina, e serviços de fibra de vidro como tirar as polainas laterais (que não são originais e só poluem as linhas do carro) e encurtar a frente erroneamente adaptada na então-harmoniosa carroceria. Com isso, planos mirabolantes como rodas aro 15 e motor V8 350 foram descartados para este carro.

Pois é, o Puma é na natureza um animal arisco e indomável... por que eu iria imaginar que este carro comportar-se-ia de forma diferente? E depois de tudo isso terminado, o resultado ficará bom o suficiente para que estes pequenos contratempos sejam apenas agradáveis lembranças de mais um projeto.